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IEP abre Semana do Meio Ambiente com palestras sobre preservação ambiental e sustentabilidade

O Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) deu início à Semana do Meio Ambiente na noite de 3 de junho, com um evento no Centro de Eventos, reunindo especialistas e autoridades para discutir práticas sustentáveis em nível municipal e industrial. Promovida pela Câmara Técnica de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Saneamento, a abertura contou com a presença de autoridades e duas palestras de destaque.

Conduzido pela coordenadora da Câmara Técnica, Gina Guerra Andrade, o evento foi aberto pelo presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez.  “Nosso evento, embora com uma duração um pouco menor, é um momento de conscientização sobre o que realmente importa: preservar o meio ambiente e garantir que as futuras gerações possam viver em um planeta mais sustentável, saudável e recuperado das agressões que, infelizmente, ainda sofre”, disse. “O desenvolvimento deve caminhar lado a lado com a preservação ambiental e que é fundamental pensarmos sempre em formas de minimizar esses efeitos e buscar o menor impacto possível”, adicionou.

A abertura do evento contou com as palestras de Ibson Gabriel Martins de Campos, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, que falou sobre “Curitiba – Verde, Azul e Sustentável”, e de Andrei Kuhnen e Thiago Yamabuchi, da Renault do Brasil, que abordaram o tema “Sustentabilidade e economia circular da Renault”.

Protagonismo ambiental

Ibson de Campos destacou o papel da gestão pública na consolidação da capital paranaense como referência em planejamento urbano e preservação ambiental.  Ressaltou que a proposta urbanística de Curitiba sempre esteve alinhada à proteção dos recursos naturais, à recuperação de áreas degradadas e ao tratamento de corpos hídricos, com cada gestão agregando novas inovações e estratégias sustentáveis.

Entre os principais programas e projetos em curso, ele destacou o Plano de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima – PANCLIMA. “Trata-se de um documento estratégico da política urbana de Curitiba, com metas até 2050, e que estabelece 20 ações prioritárias em cinco eixos: qualidade ambiental e urbana, eficiência energética, gestão de resíduos sólidos e efluentes, mobilidade urbana sustentável e hipervisor urbano e inovação. “O plano prevê ações voltadas à neutralidade de carbono, governança climática, resiliência a riscos climáticos e inclusão social por meio da ação ambiental”, acentuou.

Outro destaque é o Ecodistrito do Belém, um projeto urbano em desenvolvimento que integra habitação, comércio, áreas verdes e infraestrutura sustentável. O Ecodistrito propõe soluções inovadoras para mobilidade, gestão de resíduos e uso eficiente de recursos naturais e requalificação paisagística da região do Rio Belém. “Com investimentos previstos de R$ 505 milhões, o polígono do projeto vai da Avenida Marechal Floriano até a Avenida das Torres, e do Rio Iguaçu até a Linha Verde”, observou.

Sobre o projeto Reserva Hídrica do Futuro, Ibson informou que é uma parceria entre a Prefeitura, o Governo do Estado e a Sanepar, e prevê a criação de grandes lagos na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Iguaçu, com capacidade para armazenar 43 bilhões de litros de água. A iniciativa reforça a segurança hídrica e a resiliência climática da cidade, sendo uma das ações vinculadas ao PANCLIMA.

Citou os projetos de Descarbonização e Mobilidade Sustentável, que incluem a adoção de 70 ônibus elétricos, com previsão de economia de R$ 147 milhões e potencial de redução de 6.650 toneladas de CO₂ por ano. Integram ainda os planos de eletromobilidade no transporte de cargas e projetos de energia renovável, como a Pirâmide Solar de Curitiba, que gerará cerca de 8.796 kWh e pode abastecer até 61% dos prédios públicos – com meta de alcançar 100%. A economia estimada é de R$ 4,5 milhões ao ano, com redução adicional de 2.739 toneladas de CO₂.

Ibson resumiu, ainda, o “Curitiba – Soluções Baseadas na Natureza (SBN)”, voltado à proteção e restauração de ecossistemas urbanos. Entre os principais destaques estão: parques lineares, parques esponja, corredores ecológicos que fortalecem a biodiversidade e o projeto internacional Generation Restoration.

Ao final da apresentação, Ibson reforçou que a integração entre políticas ambientais, planejamento urbano e inovação tecnológica torna Curitiba uma referência nacional e internacional em sustentabilidade. “Não se trata apenas de proteger o meio ambiente, mas de pensar o futuro das cidades com responsabilidade, inteligência e compromisso com as próximas gerações”, concluiu.

Nova mobilidade

No início da palestra, Andrei Kuhnen convidou o público a revisitar o cenário de cinco a oito anos atrás, quando os debates sobre nova mobilidade eram centrados na tecnologia — carros autônomos, elétricos e conectados. “Hoje, esses avanços já são realidade. Quando falamos em nova mobilidade, pensamos principalmente em sustentabilidade, segurança e inclusão”, explicou.

Segundo Andrei, a segurança está diretamente ligada à tecnologia embarcada, com sistemas automatizados que contribuem para a prevenção de acidentes causados por falha humana. Para ele, a sustentabilidade tem como foco especial a mobilidade elétrica. Alertou que o impacto ambiental positivo dos carros elétricos depende de toda a cadeia, especialmente da matriz energética do país. “No Brasil, com o crescimento exponencial da energia fotovoltaica, a mobilidade elétrica se torna ainda mais relevante”, pontuou.

Outro ponto destacado, foi o desafio do fim da vida útil das baterias. Andrei explicou que, após cerca de 10 anos gerando tração para os veículos, as baterias podem ganhar uma “segunda vida” em aplicações estacionárias — como sistemas de armazenamento de energia em edifícios. “Aí, sim, o ciclo da mobilidade elétrica começa a fechar com ganhos reais em sustentabilidade”, disse.

Andrei lembrou que a Renault passou por uma reestruturação global, com criação de marcas diferentes, visando ao desenvolvimento de soluções de transporte com zero emissões e matriz elétrica menos intensiva em carbono, de motores híbridos e de combustão interna de alta eficiência energética, de veículos elétricos baseados em software e, ainda, focar a atuação em economia circular, visando a aumentar a durabilidade dos veículos, investir em remanufatura de peças e otimizar a reciclagem de matérias-primas. “É essencial fazer o veículo durar mais. E, quando chegar ao fim da vida útil, em vez de reciclar diretamente, pensar na remanufatura de componentes”, afirmou Kuhnen.

Como exemplo de aplicação dos princípios sustentáveis, Andrei falou do Renault Kardian, desenvolvido no Brasil e lançado em 2023. O modelo, segundo ele, traz avanços concretos em sustentabilidade. “Cerca de 10% dos plásticos utilizados são reciclados; 20% da matéria-prima do veículo é reciclada; com a reutilização de resíduos industriais (scraps) da planta, a reciclabilidade chega a 30%; mais de 85% da matéria-prima do Kardian é reciclável”.

Uso de dados

Em sua apresentação, Thiago Yamabuchi destacou como a montadora tem usado dados e inteligência artificial para aumentar a eficiência e promover a sustentabilidade industrial, ressaltando o papel dos dados nesse processo. Ele citou uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial segundo a qual, em 2025, o mundo deverá atingir a impressionante marca de 175 zettabytes de dados. “Para se ter uma ideia, se um byte fosse um grão de arroz, um zettabyte encheria o Oceano Pacífico. Agora imagine 175 vezes isso”, explicou.

Segundo ele, o cenário atual é ideal para o uso inteligente dessas informações, graças à capacidade de processamento e à inteligência artificial. “Mais do que nunca, estamos preparados para usar os dados não apenas para eficiência, mas para sermos mais sustentáveis — especialmente nas plantas industriais”.

Um dos exemplos apresentados envolve o uso de dados meteorológicos, históricos e de produção para otimizar o funcionamento dos fornos de pintura da fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR). Com base em previsões climáticas fornecidas pela Universidade Federal do Paraná e dados internos da linha de produção, a empresa está desenvolvendo um sistema capaz de determinar o momento ideal para ligar os fornos, evitando desperdício de energia.

“E como a Renault é autossuficiente em energia, o excedente pode ser vendido no mercado livre.” A intenção da montadora é tornar esse processo totalmente automatizado, eliminando a necessidade de decisão humana baseada em estimativas. “Passamos a considerar variáveis como umidade, que antes não entravam na conta, mas que afetam diretamente a retenção de calor”.

Outro ponto abordado na palestra foi a diversidade de máquinas da fábrica — algumas conectadas à nuvem, outras não — e o desafio de integrar esses sistemas. “Trabalhamos com séries históricas e algoritmos de machine learning para prever necessidades de manutenção, economizar fluidos e reduzir o uso desnecessário de energia”. Ele destacou o uso de modelos prontos de inteligência artificial.  “Nossa missão é preparar esse meio de campo para que as equipes se apropriem dessas ferramentas e as usem para melhorar sua eficiência.”

Por fim, ele compartilhou um projeto inovador em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina: a transformação de resíduos plásticos, os chamados scraps, em pó para produção de filamentos para impressoras 3D. “Queremos deixar de vender esse material como resíduo e convertê-lo em produto com valor agregado, reaproveitável e mais sustentável.”

Thiago encerrou sua apresentação reforçando a importância da inovação com propósito. “O objetivo é claro: usar dados e tecnologia para criar uma indústria mais eficiente, inteligente e ambientalmente responsável.”

Assista ao evento abaixo ou pelo canal do IEP no YouTube:

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