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Evento no IEP debate desafios e soluções para compras sustentáveis no contexto ESG

As compras sustentáveis são essenciais para a pauta ESG (Ambiental, Social e Governança) porque refletem a responsabilidade da empresa com o meio ambiente e a sociedade, além de gerar benefícios econômicos e fortalecer a reputação corporativa. Ao integrar critérios ESG na aquisição de produtos e serviços, as empresas contribuem para um futuro mais sustentável, ao mesmo tempo em que se posicionam de forma mais competitiva no mercado. 

Esse foi o tom do encontro promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), na manhã desta terça-feira (17), em Curitiba. Organizado pela Câmara Técnica de ESG do IEP, o evento conduzido por Maristela Parigot, da Câmara Técnica de ESG, e reuniu especialistas para discutir como incorporar critérios ambientais, sociais e de governança nos processos de aquisição, fortalecendo cadeias de fornecimento mais responsáveis e alinhadas às exigências do mercado atual.

Participaram como palestrantes Roberto Roche, especialista em gestão de ESG; Rômulo Viel, especialista em sustentabilidade e inovação; Rafael Benke, líder empresarial e uma voz de destaque na agenda ESG e de direitos humanos na América Latina; e Adriano Hammerschmidt, da Superintendência de Compras e Coordenador Brasileiro do Comitê de Compras Sustentáveis da Itaipu Binacional.

O presidente da entidade, Nelson Luiz Gomez, ressaltou a relevância do tema e a responsabilidade coletiva com o futuro. “A sustentabilidade fala exatamente do que precisamos fazer. É garantir que as futuras gerações encontrem um ambiente, no mínimo, tão saudável e qualificado quanto aquele que temos hoje”, afirmou.

Gomez também destacou o papel estratégico das compras no contexto da sustentabilidade. “Esse é um tema que não diz respeito apenas à nossa localidade, mas ao planeta como um todo. As escolhas que fazemos no processo de compras impactam diretamente a preservação dos recursos e o desenvolvimento sustentável”, frisou.

Análise de risco

“ESG é, antes de tudo, uma análise de risco. Uma metodologia criada para proteger investimentos, não para salvar o planeta”, afirmou Roberto Roche, durante sua apresentação. Segundo ele, o conceito, que começou a ser desenhado na década de 1960, surgiu da pressão de fundos, seguradoras e bolsas de valores sobre empresas que ignoravam riscos ambientais, sociais e de governança. “A partir dali, o mercado percebe que empresas desconectadas desses critérios representam risco financeiro real”, destacou.

Roberto explicou que sustentabilidade e ESG não são sinônimos. “Sustentabilidade olha para a sociedade, para o planeta. ESG olha para investidores. A pergunta central é: onde estão os riscos que podem afetar o retorno?”, pontuou.

Ele alertou que práticas como compras sustentáveis são fundamentais na gestão dos riscos. “Os impactos dos seus fornecedores são, também, os seus impactos. A due diligence na cadeia de suprimentos virou obrigatória”, reforçou.

O especialista também destacou que o avanço das regulações empurra empresas de todos os portes para esse caminho. “Se você não encontrar o risco antes, ele vai te encontrar. E aí é tarde demais”, alertou.

Na visão dele, o ESG não é uma tendência passageira, mas um fator decisivo de competitividade. “Quem não se adapta, perde acesso a crédito, investidores e mercado”, concluiu.

Fortalecer negócios

Ao apresentar um roteiro prático para implantação de compras sustentáveis, Rômulo Viel destacou que até 60% dos custos de uma organização estão na cadeia de suprimentos e, portanto, ignorar esse elo pode comprometer a reputação e os resultados. “Compras sustentáveis são aquelas que geram os maiores impactos ambientais, sociais e econômicos positivos ao longo de todo o ciclo de vida do produto ou serviço”, definiu.

Rômulo explicou que esse processo exige três perguntas fundamentais: o que comprar, como comprar e de quem comprar. “Se aquilo que compramos não é sustentável, já começamos errado. E, se compramos de quem não mitiga riscos socioambientais, comprometemos a nossa própria rentabilidade”, alertou.

O especialista detalhou que a implantação desse modelo passa por etapas como categorização dos itens, avaliação dos riscos socioambientais, definição de critérios técnicos e monitoramento constante dos fornecedores. “Não dá para tratar todos os itens da mesma forma. É preciso priorizar aquilo que representa maior risco ou maior impacto para o negócio”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que o sucesso desse modelo depende de políticas claras, da liderança da empresa e da capacitação das equipes. “Não é um produto de prateleira. Cada organização precisa desenvolver sua própria metodologia, alinhada aos seus valores, estratégias e realidade de mercado”, frisou.

Lembrou que exigir critérios sustentáveis dos fornecedores não significa apenas mitigar riscos, mas também gerar ganhos concretos. “Redução de desperdícios, eficiência nos processos, melhoria no relacionamento com fornecedores e controle de riscos são benefícios diretos para quem adota essa prática”, concluiu.

Direitos humanos

Rafael Benke destacou como a gestão de riscos está diretamente conectada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à agenda global de direitos humanos. “Mais de 90% dos ODS estão ligados a direitos humanos. Quando faço uma gestão de riscos eficaz, evito impactos negativos e, ao mesmo tempo, gero valor positivo para a sociedade e para o negócio”, afirmou. Segundo ele, cadeias sustentáveis fortalecem as empresas. “Isso significa fornecedores mais eficientes, produtivos e com boas práticas, o que gera competitividade”, reforçou.

Ele também chamou atenção para a nova legislação europeia, a Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD), que exige das empresas um rigoroso processo de diligência socioambiental e em direitos humanos. “O foco não é romper contratos, mas fortalecer cadeias resilientes. A busca não é por risco zero, que não existe, mas sim por meios sólidos que reduzam impactos”.

Apresentou o Termômetro de Direitos Humanos, uma ferramenta que já foi aplicada em mais de 550 empresas na América Latina. “Ela permite uma autoavaliação confidencial, baseada em frameworks internacionais, trazendo dados tangíveis e um mapa de calor sobre desafios e oportunidades nas cadeias produtivas”, explicou. A solução apoia decisões estratégicas e desenvolvimento, e alertou, “não é uma ferramenta de auditoria, nem de certificação, e sim de gestão e responsabilidade corporativa”.

Case da Itaipu

O modelo de compras sustentáveis da Itaipu Binacional foi tema da apresentação de Adriano Hammerschmidt. “Nossa jornada começou há mais de 20 anos, com uma normativa própria que já passou por revisões para incorporar critérios ambientais, sociais e de governança. Hoje, seguimos uma metodologia robusta que vai muito além da legislação”, destacou.

Segundo ele, a política de compras da Itaipu, atualizada em 2024, considera três dimensões: econômica, social e ambiental. “Avaliar risco, ciclo de vida, custo total de propriedade e análise de mercado faz parte da rotina. A pergunta inicial é simples, mas poderosa: essa compra realmente é necessária?”, afirmou.

Adriano explicou que as decisões levam em conta desde o impacto na geração de resíduos até temas como equidade de gênero e fortalecimento da economia local. “Sustentabilidade não é risco zero, mas entender e gerir impactos. Uma cadeia bem estruturada traz menos riscos e mais eficiência”, completou.

Atualmente, Itaipu já definiu critérios de sustentabilidade para 53 objetos de materiais e serviços. “É um trabalho construído a muitas mãos, com participação ativa de gestores, técnicos e fornecedores. E seguimos evoluindo, porque esse é um processo contínuo”, concluiu.

Assista ao evento completo abaixo ou pelo canal do IEP no YouTube:

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