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8ª Semana Acadêmica de Engenharia promove imersão no futuro da profissão e em gestão de projetos

O Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) deu prosseguimento à sua 8ª Semana Acadêmica de Engenharia com uma série de palestras que mergulharam os estudantes nas tendências e no futuro da profissão. O evento, conduzido por Mateus Pizzatto, associado da Câmara Técnica Universitária do IEP e membro do CREA-JR, trouxe nomes de peso para discutir temas como inovação, gerenciamento de projetos e a importância de pertencer a uma comunidade profissional.

O terceiro dia do evento contou com as palestras de Cesar Henrique Sato Daher, da IDD Educação Avançada, que abordou o Futuro da Engenharia, de Germano Menzel, Chief Project Manager na Volvo do Brasil, que apresentou um Case de Gerenciamento de Projetos da empresa, e de Maykonn Acyr Gomes Xavier, vice-presidente financeiro do PMI Paraná Chapter, que detalhou a atuação do Project Management Institute (PMI), reforçando o papel crucial dos engenheiros na liderança de projetos.

Perspectivas e transformação

A abertura do evento foi marcada por uma saudação do presidente do IEP, Nelson Luís Gomez, que, com um tom bem-humorado, se dirigiu aos jovens engenheiros. “Eu acho que neste momento aqui eu devo ser o do lado oposto. O mais velho. Então, a maioria de vocês não deve ter existido quando eu nasci”, brincou, referindo-se ao seu nascimento em 1951. Com uma perspectiva de quem já viveu as transformações da profissão, Gomez compartilhou sua trajetória, atribuindo ao IEP grande parte de seu desenvolvimento profissional e de sua rede de contatos. “Todo o meu desenvolvimento extra profissional e network, eu fiz aqui dentro desta casa”, revelou, reforçando que a participação contínua na instituição foi fundamental para sua carreira.

Ao final de sua saudação, o presidente lançou um desafio à nova geração. Convidando os jovens a se tornarem os futuros líderes, ele os incentivou a dar continuidade ao legado da instituição, que se aproxima de seu centenário em fevereiro de 2026. “Quem vai continuar o Instituto de Engenheiro do Paraná daqui 5, 10, 15, 20 anos?”, questionou Gomez, reforçando a importância de se associar e participar dos eventos que são, segundo ele, ricos em “aprendizado, conhecimento e muito network”.

Caminho da profissão

Cesar Henrique Sato Daher ofereceu uma visão instigante sobre a engenharia do futuro, em sua palestra. Ele defendeu que, para entender o caminho da profissão, é preciso olhar para o presente, pois, nas palavras do filósofo Confúcio, “se você quer conhecer o futuro, examine o presente, que é a causa”. Destacou que a engenharia sempre esteve intrinsecamente ligada à evolução da civilização, desde o Homo Sapiens criando ferramentas até as revoluções agrícola, industrial e, mais recentemente, a digital.
O palestrante fez um panorama histórico das inovações que moldaram a profissão. Ele relembrou a construção milenar das pirâmides pelo faraó Imhotep, o “primeiro engenheiro”, e a resistência do concreto romano, que mistura cinza vulcânica com cal. Ele sublinhou que a busca por construções duráveis está diretamente ligada à sustentabilidade, um desafio crucial da engenharia moderna. Citou invenções como a linha de produção de Henry Ford, que, apesar de trazer eficiências, evidenciou a necessidade dos engenheiros de desenvolverem habilidades de gestão.

Também ressaltou que, na virada do século XIX para o XX, mudanças radicais impulsionadas por inovações como a eletricidade e a gasolina, levaram à ascensão de indústrias e novas profissões. A corrida entre Thomas Edison e Nikola Tesla pela melhor corrente elétrica, por exemplo, não só popularizou a eletricidade, mas também inaugurou a era das usinas hidrelétricas. O palestrante também mencionou o surgimento da computação e, na sequência, da internet, que conectou o mundo e gerou a necessidade de lidar com a massa de informações do Big Data.

Para ele, a Inteligência Artificial (IA) representa a próxima grande revolução, transformando radicalmente o papel do engenheiro. “A IA está dando um salto gigante para nós”, afirmou. Argumentou que, em um futuro próximo, o professor tradicional, que apenas ensina, será substituído por um mentor, que traz problemas reais para a sala de aula e orienta a resolução. A IA, aliada à Internet das Coisas e à impressão 3D, exigirá que os futuros engenheiros foquem no pensamento crítico, na interpretação de dados e na colaboração, em vez de se prenderem a cálculos operacionais que as máquinas farão por eles. Citou ainda as outras tecnologias emergentes que moldarão o amanhã: computação quântica, biotecnologia e nanotecnologia.

O engenheiro frisou que o profissional do futuro precisará de habilidades emergentes e um aprendizado contínuo. “Não adianta mais querer saber o básico que a gente sabe”, disse. César enumerou competências essenciais como a fluência em tecnologia, a adaptabilidade e as habilidades interpessoais, que são cruciais para o trabalho colaborativo em um mundo complexo.

César concluiu sua fala com uma visão otimista e motivadora. Ele destacou que o engenheiro do futuro será um “integrador de conhecimento”, um “estrategista” e um “agente de mudanças” para um mundo mais sustentável. Em uma mensagem aos jovens presentes, ele enfatizou: “Não depreciem a sua própria profissão, não falem mal da profissão de vocês, porque a profissão de vocês é maravilhosa. Vocês mudam vidas”. Ele afirmou que o trabalho dos engenheiros é fundamental para o desenvolvimento da sociedade e que, apesar dos desafios, a profissão é a chave para o progresso do país.

Ideia e inovação

Germano Menzel compartilhou sua jornada profissional e a visão da empresa sobre gestão de projetos durante a Semana Acadêmica de Engenharia. “É um nome ‘fancy’, mas é um gestor de projetos, tá?”, brincou, ao descrever sua função. Sua trajetória, que incluiu passagens pelo Instituto Lactec e COHAB, moldou uma perspectiva que vai além da técnica, enfatizando a paixão por transformar ideias em realidade. Para ele, todo grande feito, seja um caminhão elétrico, a construção de uma planta industrial ou a realização da Copa do Mundo, é resultado de um projeto bem executado.

Ele definiu um projeto como um “esforço temporário para atingir um produto, um serviço ou um resultado”, destacando a importância de ter um começo e um fim bem definidos. E detalhou as cinco fases essenciais de um projeto: iniciação, onde se avalia a viabilidade; planejamento; execução, onde o trabalho acontece; controle, que anda lado a lado com a execução; e encerramento, momento de entrega e aprendizado. “Na Volvo a gente diz que o planejamento é o mais importante, é onde a gente deveria gastar a maior parte do nosso tempo”, afirmou, ressaltando a filosofia da empresa.

A palestra abordou a evolução das metodologias de gestão, contrastando o modelo preditivo, mais tradicional e linear, com o adaptativo (ágil), que permite flexibilidade e aprendizado contínuo. Enquanto o modelo preditivo, como o de construção de um prédio, segue uma sequência rígida, o adaptativo, comum em desenvolvimento de software, trabalha com iterações e feedback. Germano confessou que a Volvo “também fez isso em alguns casos”, referindo-se à adoção apressada de metodologias ágeis por medo de ficar para trás. Contudo, a empresa aprendeu e hoje aplica a metodologia mais adequada a cada tipo de projeto, inclusive em modelos híbridos.

Para ilustrar essa abordagem, Germano usou exemplos práticos da engenharia de caminhões da Volvo. Projetos com exigências legais rígidas, como a norma de emissão de gases de exaustão, são geridos de forma preditiva. Já as mudanças no painel de instrumentos, por exemplo, podem ser adaptativas, permitindo testes rápidos e feedback direto dos motoristas. “Isso é uma coisa que eu consigo facilmente… fazer, enviar via Wi-Fi ou via inteligência remota para fazer um teste em alguns clientes”, explicou. Essa flexibilidade permite à Volvo otimizar recursos e entregar produtos que atendam melhor às necessidades do cliente.

Em um mundo de complexidade crescente, ele enfatizou a necessidade de aprimorar as competências do gestor de projetos. A Volvo, alinhada com as diretrizes do PMI, busca profissionais com expertise em gerenciamento de projetos, capacidade de tomar decisões estratégicas e um profundo conhecimento do negócio. O gestor, segundo ele, não deve apenas entregar um projeto a qualquer custo, mas sim “entregar o melhor valor agregado para a empresa”.

A liderança colaborativa é outra característica essencial. O gestor de projetos na Volvo é visto como um “guia, um mentor dentro da empresa”, que trabalha em sinergia com diversas áreas. Ele expressou a satisfação de lidar com todos os departamentos, desde o pós-venda até a engenharia, em um esforço conjunto. Ele concluiu a palestra com a esperança de ter despertado o interesse dos estudantes pela área. “Eu gostaria que isso fosse no mínimo uma chavinha que ligue em vocês que existe essa possibilidade dentro da engenharia de não ‘engenheirar’ 100%”, finalizou.

Projeto de mudança do mundo

O papel central dos engenheiros na criação de um futuro melhor foi o tema da palestra de Maykonn Acyr Gomes Xavier. Ele destacou que “o mundo precisa de projetos e os projetos começam com os engenheiros”. Para que esses projetos sejam bem-sucedidos, no entanto, é essencial o envolvimento de pessoas capazes de transformá-los em realidade. “Vocês são capazes de mudar o mundo”, afirmou, dirigindo-se aos estudantes.

A importância de pertencer a uma comunidade para impulsionar o sucesso profissional e pessoal foi um dos pontos altos da fala de Maykonn. Ele explicou que o Project Management Institute (PMI) foi fundado em 1969 por cinco visionários que buscavam criar um ambiente de colaboração e aprendizado mútuo. “Eles se juntaram e falaram assim: ‘Eu já cometi os meus erros, você já cometeu os seus. Vamos juntar os nossos erros para que eu não cometa os seus e você não cometa os meus’”. Essa filosofia de compartilhamento de conhecimento é a base da organização.

O PMI, que hoje conta com 738 mil membros e 1,7 milhão de profissionais certificados, é movido principalmente pelo voluntariado. “O que move o PMI é o voluntariado”, frisou, revelando que a organização conta com mais de 13 mil voluntários em 306 capítulos ao redor do mundo. Ele explicou que a certificação, como a PMP (Project Management Professional), não exige filiação, mas é uma maneira de comprovar conhecimento e habilidade, servindo como um diferencial no mercado de trabalho.

O palestrante ressaltou a importância da gestão de projetos como uma ciência que complementa a engenharia. “A gente aprende a bater massa, mas não aprende a planejar a composição dos tijolos para construir a casa”, exemplificou, destacando que o PMI oferece diversas certificações, incluindo gestão de riscos, portfólio, programas e até mesmo inteligência artificial. Para ele, compreender e gerenciar riscos é uma habilidade crucial para qualquer engenheiro. “Entender de gestão de riscos é essencial, gente”, alertou.

O futuro, segundo Maykonn, apresenta uma grande oportunidade para os gestores de projetos. Há uma lacuna projetada de 30 milhões de profissionais na área até 2035. No Brasil, o número de vagas disponíveis pode chegar a 105 mil, considerando a aposentadoria de profissionais e a abertura de novos postos. “Os engenheiros vão projetar, é lógico, coisas maravilhosas. Mas alguém tem que botar a geringonça para funcionar”, disse, enfatizando a necessidade de profissionais para gerenciar, integrar e garantir que as obras sejam entregues no prazo.

Para concluir, o vice-presidente financeiro reforçou que a visão do PMI vai além da entrega de projetos no prazo e dentro do orçamento. “A nossa visão é um mundo onde cada projeto atinge o seu potencial de impacto positivo”, resumiu. Ele defendeu que a gestão de projetos deve ser utilizada para tornar a vida das pessoas mais humana, inovadora, sustentável e feliz, elevando o mundo por meio de uma engenharia que atenda a valores como simplificação, ambição, acolhimento, curiosidade e colaboração. “Gestão só por gestão não vale a pena”.

Assista ao evento completo abaixo ou no Canal do IEP no YouTube:

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