O Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) recebeu na sexta-feira (17/10), em seu auditório, a palestra “Projeto Arcanjo: engenharia colaborativa para resposta rápida a emergências climáticas”, ministrada pelo Engenheiro João Pedro Buiarskey Kovalchuk. O evento destacou a urgência de uma resposta tecnológica nacional diante do aumento de eventos climáticos extremos e apresentou o conceito de um veículo anfíbio de resgate – o Arcanjo – desenvolvido sob os pilares da Engenharia colaborativa e simultânea.
A palestra detalhou como as metodologias avançadas de engenharia podem acelerar o desenvolvimento de equipamentos especializados e estratégicos, essenciais para salvar vidas em situações críticas como inundações. O Engenheiro Kovalchuk sublinhou que a ciência é clara: “As mudanças climáticas não são uma ameaça futura – estão acontecendo agora. O desafio real não é mais entender o problema, mas sim implementar soluções eficazes em escala suficiente para proteger vidas e comunidades”.
O evento foi aberto pelo Presidente do IEP, o Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, que reafirmou a importância do instituto como polo de desenvolvimento e integração profissional. “Esta palestra é fundamental, pois visa um trabalho coletivo, social e ambiental, focado em resolver muitos dos problemas da nossa sociedade”, declarou.
O presidente destacou o papel da engenharia na busca por soluções, e aproveitou o momento para convidar os associados a participarem das atividades do Instituto, informando algumas atividades da agenda. Ao final, ressaltou a visão de futuro da entidade. “Nós queremos protagonismo e resultado e a engenharia mostrando que pode estar pronta para quando for necessário”.
Projeto Arcanjo
O cerne do Projeto Arcanjo é o desenvolvimento de um veículo de resgate anfíbio, de alta confiabilidade e fácil manufaturabilidade, projetado para operar onde máquinas comuns falham. “É uma resposta tangível e imediata às necessidades críticas enfrentadas pelas equipes de resgate, integrando a engenharia colaborativa para eliminar retrabalho e reduzir o tempo de desenvolvimento em até 40%”.
A motivação para o “Arcanjo” surge de uma falha crítica no sistema de resgate atual: “Não temos uma solução eficiente. Os equipamentos são inadequados. Escavadeiras destroem tudo no caminho; tratores são inúteis devido à construção inadequada, e veículos 4×4 são muito baixos para a operação em enchentes. Máquinas adequadas são raras e extremamente caras”, justificou.
De acordo com ele, o Projeto Arcanjo nasceu para preencher essa lacuna. Trata-se do desenvolvimento de um veículo especializado, projetado para operar nas condições mais desafiadoras, combinando mobilidade extrema, capacidade anfíbia e alta confiabilidade.
O protótipo possui especificações técnicas inovadoras, inspiradas em referências mundiais como o veículo ucraniano Sherp, mas com foco em manufaturabilidade local e padronização, e deve ser maximamente confiável e fácil de produzir. “A nossa análise de contexto mostrou que precisamos de pneus especiais, grandes ângulos e a capacidade de flutuação, tudo combinado com manufaturabilidade melhorada. A boa notícia é que esse conhecimento e os recursos para construir esse veículo especializado existem aqui no Paraná”, garantiu.
Engenharia colaborativa e simultânea
O diferencial do Projeto Arcanjo é a metodologia de desenvolvimento, que abandona o modelo sequencial. A Engenharia Colaborativa e Simultânea (ou Concurrent Engineering) promove a integração de equipes multidisciplinares – de mecânica à eletrônica, de fornecedores a projetistas – desde as fases iniciais, garantindo a validação cruzada contínua.
A Engenharia Colaborativa representa uma transformação fundamental. “Ela elimina o retrabalho, pois identificamos conflitos de projeto precocemente. Estudos mostram que podemos obter reduções de até 30% no tempo de desenvolvimento e 25% nos custos totais de engenharia”, explicou o palestrante. No Arcanjo, isso significa que “enquanto o sistema de tração hidráulica está sendo detalhado, simultaneamente ocorrem o dimensionamento estrutural e o projeto dos sistemas de flutuação”.
Essa abordagem integrada visa garantir a manufaturabilidade no DNA do projeto (Design for Manufacturing – DFM), com geometrias simplificadas, modularidade e a máxima utilização de partes automotivas comerciais. “Ao contrário das abordagens tradicionais, onde a manufaturabilidade é uma revisão posterior, no Arcanjo ela é um requisito de primeira ordem”, disse.
Protagonismo e parcerias estratégicas
O projeto conta com um ecossistema diversificado de parceiros, incluindo a indústria regional, instituições acadêmicas e órgãos governamentais, garantindo suporte institucional e técnico abrangente.
Kovalchuk ressaltou a importância da ação imediata e do protagonismo da engenharia paranaense. “Um dos pontos mais importantes é o total apoio da indústria, governo, sociedade civil e outras entidades. É isso que o IEP, com o apoio de seus associados, pode proporcionar”, afirmou, listando o suporte de especialistas do Exército Brasileiro, Defesa Civil, Bombeiros e instituições de ensino.
“Nós queremos soluções, soluções rápidas. Nossa meta é ter o primeiro protótipo funcionando, andando pelo menos, e entrando e saindo das valetas, porque precisa ser testado, até março de 2026, e operando durante o ano que vem inteiro. O futuro da engenharia brasileira passa pela colaboração inteligente e execução ágil. O Arcanjo é apenas o começo”, concluiu o palestrante.
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Assista ao evento completo abaixo ou pelo Canal do IEP no YouTube:
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