O Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) deu início, na noite desta segunda-feira, à 31ª edição da Semana de Engenharia, em sua sede, em Curitiba. O evento marca mais um capítulo das comemorações que antecedem o centenário da instituição, e reúne uma programação que combina palestras, visitas técnicas, debates estratégicos e reconhecimento aos profissionais que impulsionam o desenvolvimento tecnológico do Estado.
A abertura contou com a palestra magna “Alta Performance”, conduzida pelo empresário e consultor Rodrigo Maia, especialista em liderança estratégica, comunicação e desenvolvimento de equipes. Com enfoque na autogestão e na performance profissional, Maia destacou a importância de ambientes colaborativos e de rotinas orientadas à entrega de resultados consistentes.
O Presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, fez uma “prestação de contas” e afirmou que a entidade vive um dos ciclos mais dinâmicos dos últimos anos, impulsionada pelo crescimento no quadro associativo e pela ampliação de serviços. “Recebemos mais de 200 novos associados, ampliamos o número de assistidos na Unimed, fortalecemos nosso programa de Certificação Digital e promovemos mais de 80 eventos, que já alcançaram mais de três mil participantes”, descreveu, anunciando que a meta é chegar a 5 mil participantes ainda neste ano e a 10 mil no próximo.
Segundo ele, além do avanço institucional, o IEP tem reforçado sua atuação em temas estratégicos para o Paraná. Gomez destacou a atuação de engenheiros no comitê de infraestrutura ligado ao Movimento Pró-Paraná, ativo há mais de cinco anos, responsável por articular projetos como a segunda ponte Brasil-Paraguai, o novo modelo de pedágio, questões jurídicas da Ponte de Guaratuba e melhorias no Porto de Paranaguá. Ainda, lembrou que, em Novembro deste ano, o IEP sediou a sessão da Consulta Pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), referente ao Programa de Exploração da Rodovia e ao Modelo Econômico-Financeiro para a readaptação e otimização do contrato de concessão da BR-116/SP/PR, atualmente administrada pela Autopista Régis Bittencourt S.A.
Citou também a participação do IEP na Comissão de Recuperação de Bens Ambientais Lesados, que administra recursos da multa aplicada à Petrobras, em comissões tripartites responsáveis por fiscalizar obras em rodovias e monitora temas como qualidade do asfalto, tecnologia de “free flow” e pesagem dinâmica. “Nossa missão é oferecer base técnica para decisões públicas e assegurar que a sociedade esteja representada”, afirmou. A entidade também integra um comitê criado para destravar ações judiciais que paralisam obras de infraestrutura no Estado.
O presidente reforçou a urgência de ampliar a formação de engenheiros no país, lembrando que a China forma milhões de engenheiros por ano; e o Brasil apenas 50 mil. “Se não reagirmos desde o ensino fundamental, perderemos competitividade. O centenário que se aproxima reforça nossa missão de servir ao Paraná com técnica, responsabilidade e visão de futuro”, encerrou.
Importância da Engenharia
Discursos de autoridades estaduais, municipais, acadêmicas e setoriais, marcaram a solenidade de abertura, e ressaltaram a relevância da Engenharia para o futuro do Paraná e do Brasil.
Em sua fala, o Eng. Helder Rafael Nocko, diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), que representou o Presidente Clodomir Ascari, mencionou que o IEP há décadas promove reflexão e convivência técnica. Enfatizou que iniciativas como esta fortalecem a profissão e ampliam o alcance de ações desenvolvidas para a área.
“Este evento, fruto de parcerias que acreditam no poder transformador da Engenharia, consolida-se como um espaço de conhecimento, desenvolvimento e networking, alinhado ao que defendemos nacionalmente”, afirmou Vinicius Marchese Marinelli, Presidente do Confea.
O Eng. Eletricista Edson Luiz Dalla Vecchia, diretor-geral da Mútua-PR, destacou a importância do evento para a inovação e ao desenvolvimento tecnológico. “A Engenharia tem papel central no avanço do Estado. Parabenizo o IEP pelos seus 100 anos e por manter viva uma cultura de diálogo técnico que ajuda a construir o futuro que desejamos”, disse.
Ao se pronunciar, o Reitor da UFPR, Professor Marcos Sfair Sunye, lembrou que o IEP é uma instituição que carrega enorme relevância na história do Paraná. “A UFPR tem buscado ampliar sua contribuição no ensino, na pesquisa e na inovação ao lado de instituições como o IEP, com o desafio de continuar entregando conhecimento, tecnologia e impacto social para um Estado que não para de crescer”, mencionou.
“A Engenharia é protagonista na construção da cidade que desejamos”, disse Luciane Schafauzer De Pauli, superintendente de projetos da Secretaria Municipal de Urbanismo, e que representou o Prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. “A troca entre poder público, universidade e entidades como o IEP é essencial para avançarmos em mobilidade, planejamento urbano e qualidade de vida”, acrescentou.
O deputado estadual e também Engenheiro de formação, Fábio Oliveira, enfatizou que o evento é um espaço onde diferentes gerações se encontram para renovar o compromisso com o futuro. “A Engenharia é essencial para o desenvolvimento do Estado, e vive da soma entre experiência e vitalidade”, pontuou.
Jorge Luiz Lange, presidente da Cohapar, representou o Governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Junior, e afirmou que “falar de Engenharia é falar de progresso. O Paraná vive um momento singular, com grandes obras e investimentos que só são possíveis graças à competência dos profissionais desta área”. Alertou que “precisamos formar mais engenheiros, encorajando os presentes a firmes e a inspirarem novos talentos”.
Constância, consistência e disciplina
A palestra magna conduzida por Rodrigo Maia trouxe uma provocação direta sobre a crise de qualificação profissional no Brasil. E apontou a falta de engenheiros preparados, estendendo o diagnóstico a áreas como administração, economia e finanças. Segundo ele, há empresários que desconhecem conceitos básicos de gestão. “Tem gente quebrando com vendas em alta porque não sabe a diferença entre caixa e competência”, afirmou, criticando a dependência de soluções rápidas, consultorias instantâneas e modismos motivacionais.
O palestrante também questionou a cultura da alta performance disseminada nas redes sociais, sustentada por influenciadores que prometem resultados fáceis. Para Maia, esse discurso se choca com problemas concretos do país, como a baixa qualidade educacional e o aumento de índices de depressão, ansiedade e consumo de opioides. “Não adianta vender milagre. Se a base não existe, nada se sustenta”, disse. De forma provocativa, acrescentou que “a gente precisa encarar a pergunta incômoda: estamos emburrecendo?”.
Ao discutir formação e cognição, Maia reforçou a importância dos fundamentos. Recorreu à metáfora da “teoria dos baldes”, de Steven Bartlett, para explicar que o desenvolvimento ocorre em etapas. “Ninguém entrega o que não tem. Primeiro você enche o balde do conhecimento, depois o das habilidades”, afirmou. Para ele, estudar não é acumular informação, mas questionar verdades, comparar perspectivas e construir repertório. “Quem não lê, quem não pesquisa, não tem como sustentar opinião”.
A crítica se estendeu à educação básica e superior. Maia comparou o Brasil a países como a China, que investem há décadas em pesquisa e estrutura educacional, e relatou casos de pós-graduandos brasileiros que têm dificuldade com operações cognitivas simples. “Falta treino. Falta aprender a resolver problemas”, observou. Ele citou ainda a criação da “Universidade Stellantis”, iniciativa para suprir a carência de profissionais qualificados em áreas como liderança, comunicação e gestão.
Para o palestrante, o mercado de trabalho é claro: não há desemprego para quem resolve problemas, especialmente na área de tecnologia. Mas esse resultado depende de consistência. “Alta performance não é banho gelado. É constância, consistência e disciplina, mesmo com risco de dar errado”, acentuou. Ao abordar o uso excessivo de tecnologia entre jovens e a tendência de buscar respostas prontas, alertou para o empobrecimento do raciocínio. “Tem estudante de escola excelente que não levanta a cabeça para pensar”.
Maia concluiu a palestra com um apelo ao compromisso individual e à lucidez. Defendeu que meritocracia só existe quando se reconhece que nem todos começam do mesmo ponto, mas reforçou a importância das escolhas e do esforço cotidiano. Criticou o hábito de viver sempre esperando o próximo dia, o próximo mês ou o próximo ano. “Se você está sempre querendo que o tempo passe rápido, talvez não esteja vivendo a vida que deseja. A felicidade está em querer que os momentos bons durem mais”, concluiu. Acompanhe a palestra na íntegra abaixo ou no Canal do IEP no YouTube.
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Assista ao evento completo abaixo ou no Canal do IEP no YouTube:
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