O segundo dia da 31ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), reuniu profissionais e estudantes na sede da entidade, em Curitiba, para um debate profundo sobre segurança, legislação e boas práticas em operações de içamento de cargas.
A palestra, que contou com a parceria da Associação Paranaense dos Engenheiros Mecânicos (Apemec), “Plano de Rigging: fundamentos, responsabilidades e boas práticas para operações seguras” foi conduzida pelo engenheiro civil Gabriel Beck Alves, especialista com uma década de atuação em movimentações complexas.
A abertura foi feita pelo presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, que saudou o público e destacou a programação da semana, que segue até sábado, 6 de dezembro, encerrando-se com um jantar comemorativo ao centenário da instituição. Ele também lembrou as próximas atividades da casa, entre elas o I Seminário sobre Segurança nas Atividades de Visitação em Áreas Naturais e a segunda parte do evento “Mitos e Verdades: Recarga de Veículos Elétricos”.
Plano de rigging
Ao iniciar sua apresentação, Gabriel Beck Alves agradeceu o convite e reforçou a função essencial do planejamento técnico. “Um plano de rigging não é burocracia. É o que impede que erros simples se tornem tragédias”, afirmou.
O documento, explicou o palestrante, reúne todas as informações necessárias para uma operação segura de içamento como, por exemplo, identificação e análise da carga, definição dos equipamentos adequados, estudo das interferências no solo e no espaço aéreo, cálculo de tensões nas lingadas, avaliação das condições climáticas e sequência operacional. “Planejar é antecipar problemas. É entender que cada detalhe conta, desde o ângulo de trabalho da cinta até a proximidade de uma rede elétrica”, afirmou.
O engenheiro também ressaltou que o plano deve ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado de ART, conforme exigência de normas como a NR-11, NR-12, NR18, NR22 e NR34. “Todas têm força de lei”, frisou.
Erros que custam caro
Ao longo da palestra, Alves exibiu exemplos reais de acidentes causados por falhas de planejamento, operação ou manutenção. Um dos casos citados envolveu um guindaste tombado por negligência no dimensionamento da carga e por operação realizada por profissional não qualificado. “A máquina funciona como uma gangorra: se o equilíbrio falha, o tombamento é inevitável”, explicou.
Ele também mencionou o uso inadequado de equipamentos, como manilhas incompatíveis com cabos de aço, cintas estranguladas e ausência de proteção em cantos vivos, falhas que podem levar a rompimentos instantâneos. “Compatibilidade entre equipamentos não é sugestão: é requisito básico de segurança”, afirmou. Outro ponto de alerta foi o impacto do vento nas operações com lança alta. “O que derruba não é o vento constante, mas a rajada”.
Normas, legislação e formação
O engenheiro reforçou a necessidade de constante atualização diante da evolução das normas técnicas brasileiras (NBRs). “Normas mudam rápido. E, quando citadas em lei, deixam de ser recomendação e passam a ter força normativa”, explicou. Ele lembrou ainda que engenheiros têm acesso gratuito às NBRs graças a uma parceria entre o Sistema Confea/Crea e a ABNT.
A capacitação dos profissionais foi outro foco da palestra. Para operação e sinalização, a legislação exige cursos específicos: 120 horas para operadores e 16 horas para sinaleiros a cada dois anos. “Treinamento não é custo. É proteção para quem trabalha e para quem depende dessa operação”, frisou.
Boas práticas
Alves fez ainda uma série de recomendações como a identificação clara da capacidade de carga de cabos, cintas e acessórios; acesso imediato a certificados e manuais no local da operação; registros obrigatórios de inspeção e manutenção; retirada imediata de materiais danificados; escolha de equipamentos compatíveis para evitar desgaste e cortes; checagem prévia de torque e montagem de grampos conforme norma; e conversa prévia entre operador e sinaleiro para padronizar sinais antes do início do trabalho.
“Determinar o peso da carga é o passo mais crítico. Errar nesse cálculo é comprometer toda a operação”, alertou. Ele também destacou a importância de conhecer o centro de gravidade, escolher a lingada adequada e planejar o posicionamento do guindaste para evitar rotações inesperadas.
Planejamento como cultura
Para ilustrar a importância do planejamento, Alves comparou o trabalho atual à engenharia das civilizações antigas. “As pirâmides do Egito e Machu Picchu não foram construídas com sorte. Foram construídas com método, cálculo e planejamento”, destacou.
Segundo ele, apesar do avanço tecnológico na construção civil e na Engenharia ao longo dos 200 anos, desde escavadeiras a vapor até guindastes capazes de içar até 4.000 toneladas, o princípio permanece o mesmo: técnica, conhecimento e respeito às normas. “A evolução veio para nos proteger. Cabe a nós fazer uso correto dela”, afirmou.
Encerrando a palestra, Alves reforçou que a segurança está na soma de pequenas escolhas: desde o ângulo da cinta até a checagem do vento. “Se uma única etapa falhar, toda a operação fica comprometida. O plano de rigging existe para que isso não aconteça”, disse.





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