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IEP homenageia Eng. Civil Martha Sugai com o Prêmio Enedina Alves Marques

A valorização da presença feminina na Engenharia marcou a noite de 6 de março, na sede do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), durante a entrega do Prêmio Enedina Alves Marques à Eng. Civil Martha Regina Von Borstel Sugai. A premiação integra a programação da entidade em celebração ao Dia Internacional da Mulher e reconhece profissionais que se destacam na área.

O prêmio homenageia a memória de Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil e a primeira mulher a se formar em Engenharia no Paraná, em 1945. A cerimônia contou com a presença da professora Lizete Marques, sobrinha de Enedina, e teve como destaque a palestra “Estruturas invisíveis – uma reflexão sobre gênero e engenharia”, ministrada pela Eng. Civil Adriana Regina Tozzi.

Na abertura do evento, o presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, destacou o significado histórico das mobilizações femininas que deram origem ao Dia Internacional da Mulher. A data, oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1975, tem raízes em movimentos do início do século XX que reivindicavam igualdade de direitos, participação política e melhores condições de trabalho.

Gomez ressaltou que o reconhecimento às mulheres engenheiras também ocorre em outras datas importantes, como o Dia Internacional da Mulher Engenheira, celebrado em 23 de junho, quando o IEP deverá promover novas atividades com profissionais brasileiras que atuam em diferentes países.

Trajetória profissional

A homenageada, Eng. Civil Martha Regina Von Borstel Sugai, possui mais de três décadas de atuação nas áreas de recursos hídricos e energia. Mestre em Engenharia Hidráulica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), construiu uma carreira marcada por rigor técnico e participação em projetos de grande porte.

Na Copel, atuou em estudos hidrológicos em importantes bacias hidrográficas do Paraná e de outros estados. Posteriormente, no Centro de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza (CEHPAR), dedicou-se à análise de viabilidade técnica, econômica e ambiental de pequenas centrais hidrelétricas.

Também integrou a equipe da Agência Nacional de Águas (ANA), contribuindo para a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e do Plano Decenal da Bacia do Rio São Francisco.

Reconhecimento e emoção

Antes da entrega da homenagem, Nelson Gomez destacou a ampliação gradual da presença feminina no próprio IEP. Segundo ele, mulheres já ocupam espaços no Conselho Fiscal, no Conselho Deliberativo e na diretoria da instituição, um avanço significativo em relação ao passado, quando esses ambientes eram predominantemente masculinos.

É uma honra muito grande receber um prêmio que leva o nome da primeira Engenheira do Paraná”, afirmou Martha Sugai. Ela também agradeceu ao presidente do IEP pela indicação para a homenagem. “Quero agradecer ao presidente por ter lembrado de mim para receber esse prêmio”.

Em sua fala, destacou o significado pessoal do momento, que classificou como uma dupla conquista. “Graças a Deus eu resisti. Para mim são duas vitórias: estar aqui hoje e receber esse prêmio”, disse, agradecendo o apoio de todos que a acompanharam ao longo da trajetória. Ressaltou ainda que o “prêmio é um marco na minha carreira, um objetivo que foi alcançado. É um reconhecimento a toda uma trajetória construída na área de recursos hídricos”, declarou.

Martha também fez questão de reconhecer as instituições e pessoas que contribuíram para sua caminhada profissional. Agradeceu à Copel, à Agência Nacional de Águas (ANA), aos professores e colegas que fizeram parte de sua formação e atuação técnica.

“Sou muito grata a todos que me ajudaram nessa caminhada”, afirmou, lembrando que, em diferentes momentos de sua carreira, foi a primeira mulher a participar de reuniões técnicas em ambientes tradicionalmente masculinos nessas instituições.

Ao final, dirigiu palavras de gratidão à família e reforçou o significado simbólico da homenagem. “Receber esse prêmio é uma honra muito grande, ainda mais no ano do centenário do IEP”, concluiu.

Estruturas invisíveis

Na palestra da noite, a Eng. Civil Adriana Regina Tozzi propôs uma reflexão sobre as contribuições femininas muitas vezes invisibilizadas na história da ciência e da engenharia.

Utilizando uma analogia com a própria engenharia estrutural, explicou que a estabilidade de um edifício depende de forças que não são visíveis. “São cálculos e elementos internos que sustentam o que aparece externamente. Quando essas forças não estão equilibradas, a estrutura colapsa. Essa lógica também ajuda a compreender a organização da sociedade”, afirmou.

A palestrante destacou que muitas mulheres contribuíram para o avanço científico, mas tiveram sua participação pouco reconhecida. Segundo ela, a invisibilidade histórica não significa ausência, mas uma narrativa incompleta sobre a construção do conhecimento.

Adriana também abordou a evolução do acesso feminino à educação. Durante séculos, lembrou, a formação formal foi direcionada principalmente aos homens, enquanto às mulheres era destinada uma educação voltada à vida doméstica. A ampliação do acesso ao ensino superior ocorreu de forma mais intensa a partir da segunda metade do século XX, impulsionada por transformações sociais, econômicas e pelos movimentos feministas.

Hoje, os dados indicam avanços importantes. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2023, as mulheres representam a maioria dos ingressantes nas universidades brasileiras. Apesar disso, a presença feminina ainda é desigual em algumas áreas da engenharia e em cargos de liderança. Para Adriana, ampliar a participação feminina passa também pela organização coletiva e pela criação de redes de apoio dentro das profissões técnicas.

Ao final da palestra, Adriana pontuou que assim como em uma edificação, a sociedade depende da distribuição equilibrada de forças para permanecer estável. E indagou: “Que tipo de estrutura social se deseja sustentar no futuro?”. E defendeu a construção de uma sociedade mais inclusiva, capaz de garantir espaço para mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente marginalizados. “Essa mudança depende da participação de todos – homens e mulheres – na criação de ambientes mais justos e seguros”. E concluiu: “Que nunca mais precisemos mostrar um slide apenas com fotos de homens quando falarmos da história da Engenharia. O reconhecimento das contribuições femininas é parte fundamental da construção de uma narrativa mais completa sobre o desenvolvimento científico e tecnológico”.

Assista à cerimônia completa abaixo após a galeria de imagens.

Assista ao evento completo abaixo ou pelo Canal do IEP no YouTube:

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