A celebração do Dia Internacional das Mulheres na Engenharia ganhou um significado especial no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Promovido em parceria com a Câmara Técnica de Arquitetura, o café da manhã “Mulheres na Engenharia: competência técnica e impacto no desenvolvimento humano” reuniu, de forma virtual, três Eng. Eletricistas paranaenses que hoje atuam em diferentes continentes. Evelyn de Moraes (Gold Coast/Austrália), Suellen Corbelini (Itapema/SC) e Veronica Ignelzi (Pordenone/Itália) compartilharam experiências profissionais, desafios e reflexões sobre liderança, inovação e o papel da mulher na construção de um futuro mais humano.
Mediado pela jornalista Daniela Weber Licht, o encontro evidenciou que a Engenharia contemporânea vai além da competência técnica e está diretamente ligada à inovação, à liderança e ao desenvolvimento humano. “Mais do que celebrar uma data, o evento reforçou a importância de ampliar a representatividade feminina em uma profissão cada vez mais essencial para enfrentar os desafios da sociedade”, destacou.
Na abertura, o presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, lembrou que a data foi criada em 2014, no Reino Unido, para incentivar a participação feminina na Engenharia. Segundo ele, as mulheres já representam mais da metade dos aprovados nos vestibulares da área e vêm ocupando espaços cada vez mais estratégicos. “Hoje reunimos profissionais de três continentes e queremos ampliar esse alcance nos próximos anos, fortalecendo ainda mais a presença feminina na Engenharia”.
A deputada estadual Márcia Huçulak ressaltou a contribuição das Engenheiras em projetos estratégicos para o Paraná, como a Ponte de Guaratuba. “As mulheres estão liderando grandes obras e participando das decisões que moldam o futuro das cidades. Muitas vezes esse trabalho acontece de forma silenciosa, mas tem enorme impacto na vida das pessoas”.
Carreiras que ultrapassam fronteiras
Atuando na Austrália, Evelyn de Moraes contou que a Engenharia Elétrica abriu caminho para uma carreira internacional nas áreas de gestão, transformação digital, inovação e inteligência artificial. Beneficiada ainda na infância por uma bolsa do Projeto Bom Aluno, ela afirmou que a profissão lhe proporcionou oportunidades de crescimento e reinvenção ao longo de duas décadas.
“A Engenharia me ensinou a enfrentar problemas complexos e a construir soluções que transformam a vida das pessoas. Hoje, o maior desafio não é desenvolver tecnologia, mas manter as pessoas no centro das decisões”, afirmou.
Evelyn também destacou a importância de incentivar outras mulheres a ocuparem espaços de liderança. Para ela, confiança é construída ao longo da trajetória e a diversidade é indispensável para enfrentar os desafios do futuro. “Precisamos de mais mulheres na Engenharia porque o futuro exige múltiplas perspectivas”.
Engenharia com visão estratégica
Para Suellen Corbelini, a formação em Engenharia Elétrica foi decisiva para sua atuação na gestão estratégica de suprimentos na construção civil. Segundo ela, a profissão desenvolve uma forma de pensar que permanece essencial, independentemente das transformações tecnológicas.
“A Engenharia ensina a pensar de forma lógica, estruturada e orientada à solução de problemas. Essa capacidade continua sendo fundamental em um mundo em constante transformação”, ressaltou.
Ela também defendeu uma liderança baseada na escuta e na valorização das pessoas. “Tecnologia e processos só fazem sentido quando geram impacto positivo na vida das pessoas. A diversidade de olhares fortalece as equipes e amplia a capacidade de inovação”.
Liderança com propósito
Diretora de uma fábrica de motores elétricos na Itália, Veronica Ignelzi emocionou o público ao relacionar sua trajetória profissional à maternidade e ao desejo de inspirar novas gerações. Com experiências na Alemanha, Japão, Eslováquia, Brasil e Itália, ela defendeu uma Engenharia mais diversa e inclusiva. “Engenharia não é coisa de homem ou de mulher. É para quem deseja construir um futuro melhor”, afirmou.
Segundo Veronica, liderar pessoas ampliou sua percepção sobre o impacto social da profissão. “Quando criamos ambientes mais seguros, colaborativos e inovadores, transformamos não apenas produtos, mas também a vida das pessoas”.
Ao incentivar jovens a seguirem carreira na área, reforçou que o principal desafio ainda é a falta de referências femininas. “O mundo precisa de mais diversidade porque ela torna as soluções mais humanas e eficazes”.
Reconhecimento da liderança feminina
Ao encerrar o encontro, Daniela Weber destacou que as experiências compartilhadas reforçam a importância de ampliar o reconhecimento das mulheres na liderança técnica. “Ouvir essas trajetórias mostrou o quanto essa discussão está alinhada à pauta feminina defendida pelo IEP, especialmente no reconhecimento das mulheres na liderança técnica. Foi um debate necessário, inspirador e que fortalece o papel da Engenharia na construção de uma sociedade mais humana”.
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Assista ao evento completo abaixo ou pelo Canal do IEP no YouTube:
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