Presidente do IEP na Gestão 1941 a 1943
UM COLECIONADOR DE PRESIDÊNCIAS
Em 1941, ao entardecer de 22 de março, o professor Arnaldo Izidoro Beckert tentou se reeleger presidente mais uma vez. Seria seu quarto mandato à frente do IEP. Mas encontrou um adversário forte pela frente, o engenheiro Rubens Reis Pereira de Andrade, que cumpriria um segundo mandato consecutivo derrotando o próprio Beckert e, logo depois, coleciona presidências por uma década no Crea-PR.
Rubens Andrade cumpre o período 1941-1942, com os diretores Arnaldo Beckert, que, também concorreu e venceu para o posto de vice-presidente; Nestor Nivaldo Dittrich, 1º secretário; Armando Miguel Matte, 2º secretário; João Paz Raimundo Filho, tesoureiro; Oswaldo Pilotto, orador; e Elato Silva, redator.
Nas eleições de 21 de março de 1942 para a gestão seguinte, Arnaldo Beckert não só foi derrotado por Andrade para a presidência, como perdeu a vice para Ruy Virmond Carnasciali e a 2a secretária para Hasdrúbal Bellegard. Nos demais cargos, foram eleitos Nestor Dittrich, 1º secretário; Leopoldo Schinzel, que interrompe a carreira de tesoureiro de João Paz Filho; Oswaldo Pilotto, orador; e Pedro Viriato Parigot de Souza, redator. Logo no início dos trabalhos, a nova diretoria obteve, da 15a Delegacia Regional do Ministério do Trabalho em Curitiba o registro do Instituto de Engenharia como associação profissional.
Nessa época, o IEP já se reclamava por maior espaço para suas atividades e Pereira de Andrade alugou parte do segundo pavimento do nº 413 da rua 15 de Novembro, no Centro de Curitiba, e marcou a inauguração para 11 de dezembro, dia do Engenheiro e do Arquiteto. Também substituiu parte do mobiliário, inclusive uma mesa de bilhar do tipo francês que estava em mau estado.
O ponto alto da solenidade de abertura oficial da nova sede é a inauguração, na sala de sessões, do retrato do presidente de honra Plínio Tourinho. Presentes ao ato, entre outras autoridades, o coronel Durival Britto e Silva, superintendente da Rede de Viação Paraná Santa Catarina, o presidente do Crea-PR, Raul Zenha de Mesquita, que descerra a placa, e o diretor da Faculdade de Engenharia, Durval de Araújo Ribeiro. Oswaldo Pilotto fala enaltecendo a visão de futuro e o trabalho desenvolvido no IEP por Plínio Tourinho. É também destacado o apoio da Universidade do Paraná para o sucesso da Semana da Engenharia.
Nascido no Rio de Janeiro, em 11 de fevereiro de 1898, Rubens Reis Pereira de Andrade diplomou-se pela UFRJ em Engenharia Civil. Na sequência, transferiu-se para Curitiba, onde foi professor de Astronomia e Geodésia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná e paraninfo da turma de 1939.
Depois de presidir o IEP por dois mandatos (1941-1942 e 1942-1943), foi nomeado presidente do Crea-PR, que comandou durante 10 anos, de 1943 a 1953. Na verdade, Pereira de Andrade licenciou-se no finalzinho de seu segundo mandato no Instituto, ao ser, em suas próprias palavras em carta à diretoria, “designado representante do Confea neste Estado, com atribuições de presidir o Crea da 7a Região”. Argumentava que, em obediência a preceitos internos, os membros da diretoria não devem acumular qualquer outra representação. E transmitiu o posto ao vice, Ruy Virmond Carnasciali.
No IEP, sucedeu a Arnaldo Isidoro Beckert; no Crea-PR, a Raul Zenha de Mesquita, que também foi presidente do Instituto, passando depois do longo período o cargo ao também engenheiro civil Alberto Franco Ferreira da Costa.
Rubens Andrade também presidiu a Comissão de Estudos e Obras dos rios Tocantins e Araguaia, nos idos de 1948, quando elaborou projeto para aproveitamento navegável dessa bacia hidrográfica. Para isso, viajava de avião, um DC-3 da Real Aerovias de Curitiba, a Goiás e dali seguia de jipe e barco até Porto Nacional. A medição dos rios era feita de canoa e a pé, no meio de reservas indígenas, onde hoje é o Estado de Tocantins. Morreu em 15 de janeiro de 1953.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
Presidente do IEP: 1939, 1940 e 1944 a 1947
UM DEFENSOR DA CAUSA PARANISTA
O professor Oswaldo Pilotto cumpriu quatro gestões à frente do IEP, a primeira em 1939-1940 e as outras três, consecutivas, entre 1944 e 1947.
Sua primeira diretoria tinha como vice-presidente Eduard Gama; 1º secretário, Nestor Dittrich; 2º secretário, Alaor Barbosa Borba; tesoureiro, João Paz Raimundo Filho; orador, Edmundo Gardolinski; redator, Elato Silva.
Nas demais gestões, pela ordem dos cargos de vice-presidente a redator, alinharam Roberto Faria Affonso da Costa, Felizardo Gomes da Costa, Agostinho Leão Filho, João Paz Raimundo Filho, Raul Bruel Antonio e Carlos Luiz Luck.
Engenheiro agrônomo formado na Escola de Agronomia do Paraná, em 1921, onde depois foi professor de Física e Meteorologia Agrícola e catedrático da cadeira de Entomologia e Parasitologia Agrícola, obteve em seguida a especialização em Construções Rurais. Diplomou-se em Engenharia Civil em 1938 pela Universidade do Paraná, onde foi Professor Emérito.
Natural de Ponta Grossa (PR), nasceu em 27 de janeiro de 1901, filho de Egídio Pilotto e de Luiza Sellmer Pilotto. Foi professor da Escola Normal (atual Instituto de Educação do Paraná), que dirigiu por 11 anos, da Faculdade de Filosofia e de Ciências Econômicas e da Escola de Música e Belas Artes, que ajudou a fundar e dirigiu. Foi diretor geral de Educação no Paraná, cargo hoje equivalente a Secretário de Estado, presidente do Conselho Regional de Técnicos de Administração, da Academia Paranaense de Letras (entre 1960 e 1970) e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e diretor da Biblioteca Pública.
Colecionador de números 1 dos jornais paranaenses, a partir do primeiro, o Dezenove de Dezembro, Oswaldo Pilotto é autor de importante história da imprensa do Paraná (“Cem anos de Imprensa no Paraná”) e, entre suas obras, figuram “Notas e Achegas ao Catálogo de Jornais do Paraná”, “Paranaguá na Imprensa”, “A criação da Província do Paraná”, “Sinopse Histórica do Paraná”, “Biografia de Gabriel de Lara” e biografias de Júlia Wanderley, Antônio Rebouças, Rocha Pombo, Barão do Serro Azul e de Plácido de Castro, o libertador do Acre, entre outros. Foi um intransigente defensor das causas paranistas. Morreu dia 29 de maio de 1993, aos 92 anos. Sobre ele escreveu em agosto de 1978, na revista Rumo Paranaense, o jornalista Ali Bark: “Oswaldo Pilloto, além dos méritos de orador nato, de escritor fecundo, pertence a essa elite moral, à classe dos verdadeiros mestres”.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
Presidente IEP 1937-1938
UMA FAMÍLIA DE NOBRES DO IMPÉRIO
O engenheiro civil Raul Zenha de Mesquita, vencedor da conturbada eleição dos idos de março de 1937, diplomou-se em 1914 pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu em 21 de outubro de 1892. Foi, também, bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, Astronomia e Geodésia.
Zenha de Mesquita era filho do barão e da baronesa de Mesquita (ele, Jerônimo José de Mesquita), membros de família com importantes serviços prestados ao Império brasileiro; neto do conde de Mesquita (Jerônimo Luiz de Mesquita) e bisneto do marquês de Bonfim (José Francisco de Mesquita).
Veio ao Paraná integrando grupo de trabalho responsável pelo entroncamento rodoferroviário de Ponta Grossa, tendo prestado relevantes serviços à Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, onde foi diretor, sempre preocupado com a modernização da ferrovia e do material rodante.
Participou ativamente nas obras de eletrificação da rede e na aquisição das locomotivas elétricas. Também foi presidente do Crea/PR (1940/1942) e prefeito da cidade de Jacarezinho, norte do Paraná, na década de 1930. Sócio-fundador do Graciosa Country Club, de Curitiba. Faleceu em 1956, aos 64 anos de idade.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
Presidente do IEP na Gestão 1995/1997
No vídeo comemorativo aos 85 anos do IEP, o Engº. Ivo Mendes Lima homenageia os fundadores, os presidentes, diretores, funcionários e principalmente os associados que ajudaram a construir o Instituto.
Gestão Ivo Mendes Lima – Depois de cumprir seu oitavo mandato (1993 – 1995) – os sete primeiros consecutivos – o professor Luiz Carlos Pereira Tourinho decidiu passar o bastão do IEP. E convocou para disputar as eleições pela situação o engenheiro Ivo Mendes Lima, que havia presidido o Crea-PR por dois períodos, na segunda metade dos anos 1980.
O pleito foi marcado para 9 de janeiro de 1995 e Mendes Lima, liderando a chapa Unidade, venceu com 642 votos contra 561 dados à concorrente IEP 70 anos, encabeçada pelo engenheiro Raul Munhoz Neto, mais três votos em branco e dois nulos. Uma presença recorde de eleitores – 1.208.
Com os companheiros de gestão – Ézio Ernesto Calliari, 1º vice-presidente; Plínio Tourinho Neto, 2º vice; Hélio Irani da Motta e Camanducaia, 1º secretário; Roberto Gregório da Silva Junior, 2º secretário; João Enéas Ramos de Sá, 1º tesoureiro; e Gerardo Nogueira Dourado, 2º secretário, Ivo Mendes Lima foi empossado em 20 de janeiro, em sessão solene no auditório do Instituto, com a presença do prefeito Rafael Greca, durante a qual foi descerrada placa de homenagem aos engenheiros Rubens Meister e Venevérito da Cunha, autores do projeto arquitetônico e estrutural do edifício-sede, respectivamente
Depois de destacar o importante papel do IEP, ministrando permanentemente cursos de aperfeiçoamento profissional, sempre em convênios com a UFPR, PUCPR e o Cefet (hoje UTFPR), o professor Tourinho listou as qualidades e o currículo do sucessor e resumiu: “Meu aluno, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Cascavel, duas vezes presidente do Crea-PR, primeiro diretor universitário do IEP e frequentador assíduo do Instituto desde 1972”.
Citando o IEP como “a Casa de Plínio Tourinho e de todos os grandes engenheiros do Paraná, cuja trajetória se confunde com a própria construção de uma história de desbravamento e de novos caminhos”, disse o prefeito Rafael Greca em seu discurso: “O IEP desempenha papel importante na definição de novos rumos e novos caminhos da Engenharia estratégica, da Engenharia de qualidade de vida, da Engenharia que faça com que esta terra e este povo não sofram a história, mas possam ser sujeitos da História. Uma História nossa, que nós desejamos transformadora. História de novos caminhos, que espante para sempre o fantasma da mediocridade, o fantasma da abulia, que arranque a nossa economia da sombra periférica de São Paulo”.
O novo presidente enumerou as metas da gestão: “Vamos promover o papel social da Engenharia, estimulando e participando de ações que possam contribuir com a solução de desafios socioeconômicos da atualidade, como habitação, transporte público e saneamento básico”. Internamente, preconizou a continuidade e o incremento das atividades sociais, culturais e esportivas, o sistema de consórcio, serviços nas áreas de saúde e seguro e um calendário permanente de cursos e seminários técnicos.
Ivo Mendes Lima declarou-se honrado em suceder “a um dos homens mais ilustres, dignos e respeitados de nosso Estado, o engenheiro e professor Luiz Carlos Pereira Tourinho (…), formador de gerações de profissionais, grande líder, exemplo de austeridade na vida pública, como parlamentar e dirigente de órgãos de governo (…), que para tantos de nós sempre foi a bússola segura a apontar para o norte do nosso amanhã”. A posse da nova diretoria mereceu voto de louvor na Assembleia Legislativa, proposto pelo deputado Algaci Túlio.
Um dos primeiros grandes eventos da nova gestão foi o seminário “Engenharia no Mercosul e as oportunidades de negócios”, em 2 de junho de 1995, com a presença do ex-ministro Mauro Durante, secretário geral da Presidência da República no governo Itamar Franco e presidente do Sebrae. Na véspera, foi inaugurada a Sala do Engenheiro, espaço com mesa de trabalho e serviço de apoio à disposição dos associados do IEP e das entidades de classe do interior, com as quais o IEP firmaria uma série de convênios. Ainda em junho, foi realizado outro seminário, sobre “Políticas de Governo: Privatização, Quebra do Monopólio e Leis de Concessão”. Seguiu-se um ciclo de palestras sobre zoneamento urbano, em conjunto com a Prefeitura de Curitiba.
A par de continuar os jantares-dançantes – quatro por ano: em homenagem às mães, em maio; aos namorados, em junho; à Primavera, em setembro; e o da Semana da Engenharia, em dezembro, com sorteio de viagens, a ampla pauta de cursos, visitas técnicas, excursões de associados, os grupos de consórcios e as atividades esportivas, Mendes Lima criou um Centro de Excelência para Engenheiros, com o objetivo de permitir o acesso dos profissionais às tecnologias avançadas, inclusive com a proposta de escritório-modelo, com uma série de palestras na sequência. Instituiu a página do IEP na internet, ampliando a comunicação com os associados, conferiu novo conteúdo editorial ao Mensageiro do IEP, que ganhou logomarca de autoria do arquiteto e designer Manoel Izidro Coelho, também do quadro de sócios. E foi iniciada uma pauta de videoconferências.
PINHA EM BRONZE PARA O ENGENHEIRO DO ANO No passado, o Instituto já havia homenageado esparsamente nomes de destaques da engenharia paranaense, como Ralph Jorge Leitner, Parigot de Souza, Ivo Arzua, Roberto Edison Vaine e Osir Motter. Mendes Lima avançou mais: instituiu a premiação ao “Engenheiro do Ano”, a quem seria conferido o Troféu Paraná de Engenharia, sempre tendo em vista prestar tributo àqueles que se destacarem “nos serviços prestados à construção e à grandeza do Paraná”. A partir da segunda edição, o troféu seria um bronze em formato de pinha, o fruto que contém as sementes (pinhões) da araucária ou pinheiro, a árvore-símbolo do estado, a araucária, ou pinheiro, criação do escultor Elvo Benito Damo.
O primeiro “Engenheiro do Ano” foi o ex-presidente Luiz Carlos Pereira Tourinho, escolhido em novembro de 1995, com a homenagem sendo marcada para o jantar festivo alusivo à Semana da Engenharia, em 9 de dezembro, dois meses antes do IEP comemorar seus 70 anos, que mereceriam festividade especial. A entrega foi feita pelo prefeito Rafael Greca, em solenidade com a presença de secretários de Estado e várias outras autoridades.
No ano seguinte, a escolha do “Engenheiro do Ano” passou a ser feita pelo voto direto dos associados, mediante a sugestão de três nomes pela Diretoria e pelo Conselho Deliberativo. A cédula foi publicada na edição de outubro do Mensageiro (órgão de comunicação aos associados, depois transformado em Jornal do IEP), assim como o regulamento, pelo qual poderiam ser indicados “engenheiros paranaenses ou radicados no Paraná há pelo menos 10 anos e cujas ações tenham, efetivamente, resultado em benefícios à comunidade e/ou à profissão”. O eleito foi o engenheiro e professor Rubens Meister, que recebeu o troféu dia 11 de dezembro, no encerramento da programação alusiva ao 70º aniversário do IEP. Na mesma noite, houve a entrega de diplomas aos sócios remidos e aos que completaram 50 anos de profissão – uma tradição no IEP, esta última em parceria com o Crea-PR.
Ao encerrar sua gestão, Ivo Mendes Lima abriu mão de concorrer à reeleição porque havia sido convidado para ser candidato a deputado federal e não pretendia misturar a atividade classista com a política. Em reunião de diretores, conselheiros e associados do IEP, inclusive com a presença do professor Tourinho, sugeriu o nome do engenheiro Volmir Selig como candidato à sua sucessão, aprovado por aclamação.
Diplomado em Engenharia Civil em 1974 pela UFPR, Ivo Mendes Lima exerceu importantes cargos no âmbito classista e no serviço público, além de atividades empresariais. Começou pela presidência do Diretório Acadêmico de Engenharia do Paraná, foi duas vezes presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Cascavel; duas vezes presidente do Crea-PR, reeleito depois de propor a implantação da eleição direta; vice-presidente da Febrae (Federação Brasileira de Associações de Engenheiros) e diretor da Upadi (União Panamericana de Associações de Engenheiros)
No Crea, implantou em 1988 o programa Casa Fácil, que possibilita às famílias de baixa renda receber gratuitamente o projeto da moradia e a orientação técnica, reconhecido como “Boa Prática” pela ONU.
Exerceu atividades no ramo da construção civil, foi professor da PUCPR, atuou no BNH e na Itaipu Binacional, presidiu a Cohab-Curitiba, foi secretário nacional da Habitação e diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud); membro dos Conselhos de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense e Estadual de Política Urbana e presidente do Conselho do Paranacidade, onde representou o IEP, além de gerente do projeto de urbanização da Costa do Descobrimento, Bahia, e coordenador do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Sul do Brasil (Prodetur/Sul).
Atuou como coordenador e consultor para a elaboração de Planos Diretores, de Planos de Habitação, de Planos de Regularização Fundiária e Saneamento em municípios paranaenses e de outros estados, como por exemplo, no Amazonas, em Lábrea e Tapauá. Elaborou e executou projetos ambientais para a Petrobras nos municípios de Parintins, Manaus, governo do Amazonas e para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
Com o filho Guilherme, que é arquiteto, foi sócio da empresa I. Mendes Engenharia, onde tinha o filho Fernando, hoje, engenheiro, como estagiário; a filha Evelyn é também arquiteta e trabalha no Rio de Janeiro. Ivo faleceu aos 64 anos, em 24 de março de 2013, depois de uma longa batalha contra o câncer.
Na 73ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, realizada em Foz do Iguaçu (PR), de 29 de agosto a 1º de setembro de 2016, Ivo Mendes Lima foi homenageado com a inscrição de seu nome do Livro do Mérito, uma das mais altas honrarias prestadas pelo Sistema Confea/Creas. No Livro do Mérito são inscritos profissionais falecidos que prestaram relevantes serviços e que, de alguma forma, contribuíram para a melhoria da qualidade de vida e progresso da sociedade, desenvolvimento tecnológico e aprimoramento técnico das profissões. A família foi representada na ocasião pela esposa Rosy e o filho Guilherme.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
Assista ao vídeo:
.
Presidente IEP na Gestão – 1936-1937
O Instituto tinha, nessa época, 108 sócios titulares e 29 sócios acadêmicos. A diretoria – com Adriano Goulin, vice-presidente; Raphael Assumpção, 1º secretário; Luiz Peixoto do Amarante, 2º secretário; Arlindo Loyola de Camargo, tesoureiro; Pedro Paulo Filerich, orador; e Bento Munhoz da Rocha Neto, redator, cumpria suas atividades rotineiras, tratava da reforma dos estatutos, elegia os delegados junto ao plenário do Crea-PR e, também, o delegado eleitor que representaria o Instituto nas eleições do Confea.
Foi na tarde de 19 de março do ano seguinte que a confusão aconteceu. O IEP se preparava para eleger a diretoria que o conduziria no período 1937-1938. Durval de Araújo Ribeiro anuncia, então, que associados em atraso com a tesouraria não poderiam votar. Começam os protestos da ala adversária, que propõe anistia aos inadimplentes. Os ex-presidentes João Moreira Garcez e Flávio Suplicy de Lacerda e um grupo de aliados, partidários dessa solução, retiram-se para outra sala, afirmando que fariam uma eleição paralela. Mas, logo em seguida retornam. A ata registra: o presidente é agredido por Raul Gutierrez, enquanto Joaquim Franco ataca o secretário Raphael Assumpção; “estabeleceu-se, então, grande balbúrdia”. A polícia é chamada para garantir a ordem e a sessão é suspensa. O próprio chefe de Polícia (que hoje é o secretário de Segurança Pública), Roberto Barrozo, comparece à sede do IEP, pede calma e propõe recomeçar a assembleia no dia seguinte. Mas uma intimação expedida pelo juiz substituto do Cível e do Comércio da 1ª Vara da Capital, Aristóxenes C. de Bittencourt, fruto de mandado de segurança impetrado pelos excluídos, adia dos procedimentos.
A assembleia só é retomada cinco dias depois, às 14 horas. O chefe de Polícia marca presença no plenário, como um aceno de que a ordem deve ser mantida. Durval Ribeiro lê um ofício do juiz Aristóxenes que comunica ter tornado sem efeito sua decisão anterior, “porque, melhor considerando, sobre o pedido de mandado de segurança, requerido por João L. Constantino e outros, o indeferiu, por não ser caso dessa medida”.
Nesse clima pesado, os associados votam e elegem a diretoria para 1937-1938: Raul Zenha de Mesquita, que derrota Arnaldo Beckert, presidente; João Paz Raimundo Filho; vice-presidente; Ildefonso Clemente Puppi, 1º secretário; Raimundo Almir Mourão, 2º secretário; Silas Pioli, tesoureiro (seria substituído em julho por Lysis de Castro Vellozo); Oswaldo Piloto, orador; e Hypérides Zanello, orador. Zanello foi um dos quatro acadêmicos fundadores do IEP em 1926. A posse ocorre em 27 de março, em sessão que também comemora o 11º aniversário do Instituto.
Durval de Araújo Ribeiro foi, durante 37 anos, professor da Faculdade, depois Escola de Engenharia da UFPR. Curitibano de 1895, iniciou sua carreira em 1922 como professor contratado de Topografia e de Eletrotécnica, e também de outras matérias, como Estatística e Economia Política e Materiais de Construção. Chegou a catedrático por concurso na cadeira de Organização das Indústrias, Contabilidade e Direito Administrativo, em 1933. Depois de ter ocupado o cargo de secretário da Faculdade de Engenharia, foi eleito, em 1940, diretor da instituição e reeleito duas vezes, conferindo grande prestígio à Casa, em função das gestões positivas. Foi também diretor do Departamento de Água e Esgoto do Paraná e conselheiro do Crea/PR. Aposentou-se em 1959.
No livro “Fatos e Reminiscências da Faculdade’, o professor e colega Ildefonso Puppi retrata Durval de Araújo Ribeiro como “participante ativo de boas causas e um diretor controlado, que soube estabelecer harmonia em todos os setores da Escola”. Mas, ressalta que, de temperamento contestador, mais tarde passou a se indispor por motivos pouco consistentes com colegas de maior destaque. A princípio, fustigando Algacyr Munhoz Mäder, Arnaldo Beckert, Pedro Viriato Parigot de Souza, Ralph J. Leitner, e, por fim, quase toda a Congregação”.
A gestão de Durval Ribeiro no IEP foi marcada por um fato importante para a época: a visita do presidente do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), Adolfo Morales de los Rios Filho dia 6 de março de 1937. Morales, engenheiro-arquiteto espanhol naturalizado brasileiro, foi o segundo presidente do Confea, sucedendo a Pedro Demósthenes Rache. Seu mandato foi o mais longo da instituição, pois ficou quase 25 anos no cargo, de 6 de fevereiro de 1936 a 31 de outubro de 1960.
Mereceu do IEP “voto de louvor e de aplausos pela grande obra de congraçamento da classe e de defesa de seus legítimos direitos” e teve seu nome proposto como sócio honorário do Instituto.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
Presidente da Gestão 1935 – 1936
COMISSÁRIO DE TERRAS E CONSTRUTOR DE ESTRADAS
O processo eleitoral para a gestão 1935-1936 foi, até certo ponto, complicado. Dia 16 de março, houve bate-chapa para todos os cargos. A presidência era disputada pelos associados Eduardo Carvalho Chaves e João Paz Raimundo Filho. Chaves foi o escolhido pela maioria, mas um pedido de verificação sobre a regularidade social dos votantes, adiou a decisão em nove dias. Nesse período, apura-se que, ausente por mais de dois anos do quadro social, Chaves não satisfazia as exigências estatutárias. No dia 25, Paz Filho é eleito presidente e tem como diretores Durval de Araújo Ribeiro, vice-presidente; Joaquim Queiroz Cunha, 1º secretário; Romeu Gonçalves Pereira, 2º secretário; Silas Pioli, tesoureiro; Rozaldo de Mello Leitão (outro que seria prefeito de Curitiba), orador; e Bento Munhoz da Rocha Neto, futuro governador do Paraná, redator, todos empossados no dia seguinte. Meses depois, Arlindo Camargo substitui Pioli e Flávio Lacerda é o orador no lugar de Leitão.
Nono presidente do IEP, João Paz Raimundo Filho era mineiro de Leopoldina, onde nasceu em 10 de junho de 1870. Diplomado pela Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, em 1896, acatou a sugestão do amigo Emiliano Pernetta e se transferiu para Curitiba, onde iniciou sua vida profissional. Foi medidor de terras devolutas no norte paranaense, em Jaboticabal, Ourinhos, Colônia Mineira, Francisco Beltrão e Cambará; construtor de estradas; engenheiro fiscal da Estrada de Ferro do Paranapanema, simultaneamente às funções de comissário de terras do 1º Comissariado, já na segunda década do século XX; engenheiro da Diretoria de Obras e Viação da Secretaria de Obras Públicas e Colonização e da Estrada de Ferro Norte do Paraná; presidente da Comissão de Tomada de Contas da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná e da Companhia Telefônica Paranaense, entre outros cargos.
Aposentou-se em 1948, como engenheiro de carreira da Secretaria de Viação e Obras do Paraná. Foi sócio fundador do IEP e do Clube de Xadrez de Curitiba. Pessoa de grande conceito, era conhecido como “Dr. Pazinho” e sua morte, em Niterói (RJ), dia 17 de agosto de 1957, teve repercussão na imprensa paranaense.
Presidente do IEP na Gestão 1987/1993
No vídeo comemorativo aos 85 anos do IEP, o Engº. Ney Fernando Perracini de Azevedo fala sobre o convênio com a UFPR para realização de cursos de atualização profissional e das atividades para atrair a participação dos associados na sede do IEP.
Engº. Ney Fernando Perracini de Azevedo foi Presidente nacional da Abenc. Trabalhou na Copel durante 29 anos, 16 deles na assessoria da presidência. Professor desde 1969, atuou nas áreas de estatística e qualidade, na FAE e na UFPR. Dedica-se a atividades na área educacional, implantando e coordenando programas de desenvolvimento profissionais. Coordenador da Semana Paranaense de Engenharia Civil. Iniciou no IEP o processo de integração com entidades congêneres. Realizou eventos técnicos nacionais. Estimulou a participação dos associados e familiares em atividades sociais do IEP. Publicou e dirigiu a Revista Técnica em 39 edições. Incorporou mais um pavimento do edifício do IEP. Promoveu competições esportivas de diversas modalidades.
Assista ao vídeo abaixo:
.
REITOR DA UFPR E MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Presidente do IEP: 1933 – 1934
Professor destacado na Faculdade de Engenharia, liderança emergente, o engenheiro Flávio Suplicy de Lacerda presidiu o Instituto apenas em uma gestão (1933- 1934, eleito em 25 de março e empossado dois dias depois), mas deixou sua marca na história da entidade ao comandar um grupo de profissionais da casa que criaria, em junho de 1934, o Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná, então denominado de Crea da 7ª Região). Sete meses antes, o Decreto nº 23.569, baixado por Getúlio Dornelles Vargas (“Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil”), estabeleceu a regulamentação profissional e técnica no Brasil e instituiu oficialmente o Conselho Federal daquelas profissões (Confea), que hoje é regido pela Lei nº 5.194/66. Os arquitetos, que criaram em 2011 seu próprio Conselho, não fazem mais parte do Sistema.
No IEP, o período Suplicy de Lacerda contou, nos demais cargos de diretoria, com Roberto Pimentel, vice-presidente; Ângelo Lopes (que seria secretário de Estado e prefeito de Curitiba), 1º secretário; Antonio Batista Ribas, 2º secretário; Arlindo Loyola de Camargo, tesoureiro; Alexandre Gutierrez Beltrão (outro futuro prefeito da Capital), orador; e Eduardo Chaves, redator.
A par do dia-a-dia administrativo no Instituto, onde, por exemplo se preocupou em gestionar junto ao Ministério da Agricultura para que as licenças de pesquisas de ouro no Paraná fossem dadas de preferência “aos engenheiros nacionais”, Flávio Suplicy de Lacerda dava forma ao “Crea da 7ª Região”, que foi instalado dia 11 de junho de 1934, na sede do IEP, já na segunda presidência de Arnaldo Beckert.
Naquela data, uma segunda-feira, foram eleitos os primeiros conselheiros da nova entidade: representando o IEP, João Moreira Garcez, Durval de Araújo Ribeiro, Alexandre Gutierrez Beltrão, Linneu Ferreira do Amaral, Carlos Ross e Antonio Batista Ribas; pela Congregação da Faculdade de Engenharia, Arnaldo Izidoro Beckert, Adriano Gustavo Goulin e Eduardo Fernando Chaves. Todos, na verdade, associados do Instituto.
Suplicy foi eleito presidente e fez um breve discurso destacando “o grande alcance social do Decreto 23.569/33, bem como as vantagens auferidas pela classe”, como cita o Boletim do IEP daquele ano. Arnaldo Beckert ficou com a vice-presidência, Linneu do Amaral, com a secretaria e Batista Ribas, com a tesouraria.
Um fato interessante é que em junho de 1935, a diretoria do Crea encaminhou ao Confea sua renúncia coletiva, em razão de um impasse criado pelo pedido de registro do cidadão Francisco Pinnow, arquiteto licenciado pela Escola Prussiana de Koenigsberg. O Crea era contrário, mas o Confea, em recurso, deferiu o pedido. Depois de muita discussão, chegou-se a um meio-termo: o arquiteto licenciado teria atribuições de projetar edifícios, cabendo, porém, os cálculos e projetos estruturais a engenheiros ou a arquitetos diplomados. A paz voltou a reinar no Sistema e a diretoria voltou a trabalhar normalmente.
Ministro da Educação e Cultura do Governo Castello Branco, depois de ter sido reitor da UFPR durante 15 anos consecutivos, o engenheiro e professor Flávio Suplicy de Lacerda nasceu na Lapa (PR) em 4 de outubro de 1903, filho de Manuel José Corrêa de Lacerda e de d. Alice Maria Virmond Suplicy. Diplomou-se em Agrimensura em 1922 pelo Colégio Militar de Barbacena (MG) e em Engenharia Civil, em 1928, pela Escola Politécnica de São Paulo. Foi engenheiro chefe da Rede de Viação Paraná – Santa Catarina e membro do Conselho de Transportes dos Estados do Paraná e Santa Catarina. Em 1946, exerceu o cargo de secretário de Estado de Viação e Obras Públicas, na interventoria de Brasil Pinheiro Machado.
Autor de livros importantes, como “Estudos do Fenômeno Flambagem” e “Resistência dos Materiais”, foi professor da UFPR de 1930 a 1948, quando se elegeu vice-reitor na chapa do professor João Ribeiro de Macedo Filho, que faleceu no ano seguinte. Suplicy completou o mandato, foi reeleito várias vezes e ficou no cargo até 1964, retornando três anos depois, ao deixar o ministério. Em 1949, lançou a campanha pela federalização da Universidade. Construiu o conjunto da Reitoria, o Hospital de Clínicas, a Imprensa Universitária e o Centro Politécnico, entre outros empreendimentos. Foi membro da Academia Paranaense de Letras e primeiro presidente do Instituto Goethe no Paraná. Morreu em Curitiba, em 1 de julho de 1983.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch
TRÊS GESTÕES E UMA CARREIRA NA UNIVERSIDADE
Presidente do IEP: 1932 – 1933 / 1934 – 1935 / 1940 – 1941
Nome intimamente ligado à Faculdade de Engenharia, que dirigiu por três períodos, Arnaldo Izidoro Beckert cumpriu três mandatos à frente do IEP. Sua primeira eleição ocorreu em 25 de maio de 1932, tendo como pares de diretoria: Adriano Gustavo Goulin, vice-presidente; Oswaldo Pereira de Lacerda, 1º secretário; Raphael Klier de Assumpção, 2º secretário; Joaquim Silveira da Motta, tesoureiro; Roberto Pimentel, orador; e Durval de Araújo Ribeiro, redator.
Depois de ser sucedido pelo professor Flávio Suplicy de Lacerda, em 1933, Beckert retornou ao posto, para o período 1934-1935, com novos companheiros na diretoria: Humberto Pederneiras, vice-presidente; Raphael Klier de Assumpção, 1º secretário (o único remanescente da primeira gestão); João Paz Raymundo Filho, 2º secretário; José Brasil Valério, tesoureiro, que renuncia e é substituído por Antonio Ribas; Eduardo Fernando Chaves, orador; e Joaquim Sampaio Pimpão Neto, redator.
Arnaldo Beckert nasceu em Curitiba, em 1902, e morreu no Rio de Janeiro, em 1971. Foi catedrático de Física Experimental e Meteorologia da Universidade do Paraná, a partir de 1928, exercendo atividades na instituição ao longo de 35 anos ininterruptos.
Lecionou, também, Geometria Analítica e Cálculo Infinitesimal, Construção Civil e Arquitetura, Pontes e Grandes Estruturas, Termodinâmica e Motores Térmicos, Estabilidade das Construções, Organização das Indústrias e Física II. Foi secretário e três vezes diretor da Faculdade de Engenharia, ao longo da década de 1930.
Participou do grupo que fundou o Crea-PR, que também presidiu, e atuou na Prefeitura de Curitiba como engenheiro, onde foi diretor do Departamento de Edificações, Cadastro e Patrimônio, chegando a ser prefeito interino da Capital por breves períodos, em várias ocasiões.
Em sua terceira gestão (1940-1941), Beckert teve como companheiros de diretoria: Raphael Klier de Assumpção, vice-presidente; Alaor Barbosa Borba, 1º secretário (derrotou nas urnas o conceituado professor Pedro Viriato Parigot de Souza, que viria a governar o Paraná nos anos 1970); Silas Pioli, 2º secretário; João Paz Raimundo Filho, tesoureiro; Oswaldo Pilotto, orador; e Rubens Reis Pereira de Andrade, redator.
*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch.
No vídeo comemorativo aos 85 anos do IEP, o Eng. Cassio Bittencourt Macedo, Presidente do IEP na gestão 1971/1973, fala sobre a Convenção com mais de 700 engenheiros vindos de quase todos os Estados do Brasil.
Duas vezes Secretário de Estado de Viação e Obras Públicas do Paraná, engenheiro residente do DER/PR em Londrina, diretor de Obras e Planejamento da Prefeitura de Londrina. Presidente da Apeop, vice-presidente do Sicepot, membro dos conselhos consultivos do IEP, Apeop e Fiep. Diretor de várias empresas de engenharia. Responsável técnico do consórcio que executou a Usina de Segredo no Rio Iguaçu. No IEP, presidiu em 1972 a VII Convenção Nacional de Engenheiros, com a presença de 700 profissionais de quase todos os estados da federação.
Assista ao vídeo abaixo:
.