O quarto dia da 31ª Semana de Engenharia do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) abriu com as boas-vindas do presidente da entidade, o Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez. Ele destacou a relevância dos temas em discussão para o setor e lembrou a “robustez das palestras já realizadas ao longo da semana”, reforçando o papel do evento na atualização técnica da comunidade profissional.
Na programação da noite, o público acompanhou duas abordagens complementares ao exercício da Engenharia: “Avaliações e Perícias”, apresentada pelo Eng. Civil Luciano Ventura, e “AeroSim e a compreensão das ações do vento”, com o Engenheiro Aron Letchacovski Zavelinski. Ambas ampliaram o debate sobre precisão técnica, segurança e inovação, pilares que, segundo o presidente, sustentam a prática responsável da Engenharia no país.
Ciência dos dados
Luciano Ventura destacou como a estatística se tornou o pilar das avaliações e perícias. Segundo ele, o avanço tecnológico ampliou drasticamente o volume de informações disponíveis. “Hoje lidamos com soluções que dependem de conhecimento matemático e, muitas vezes, da criação de novas ferramentas estatísticas”, afirmou. Ventura lembrou que, em 2025, o mundo deverá gerar 181 zettabytes de dados, impulsionados por buscas, imagens, vídeos e interações digitais produzidas “a cada minuto, em escala assustadora”.
No setor imobiliário, esse fluxo massivo de informações já transforma o trabalho dos avaliadores. “Anúncios, transações, dados urbanos, laudos, imagens: tudo é criado a cada segundo no Brasil”, observou. Ventura citou números que ajudam a dimensionar o cenário: um único banco produz 3.800 laudos por dia, e apenas o programa Minha Casa, Minha Vida (faixa 1) reúne 146 mil processos. A tributação também cresce sobre esse universo; ITBI, IPTU, ITR e ITCMD somaram quase R$ 90 bilhões em 2023. “Nosso trabalho impacta diretamente a arrecadação pública, por isso é tão estratégico”, disse.
O Engenheiro enfatizou que o uso de big data e novas ferramentas tornou-se inevitável. Aplicativos, softwares de avaliação, linguagens como Python e R e métodos de ciência de dados passaram a integrar a rotina do profissional. “Não basta saber usar um aplicativo. É preciso ter visão global, entender estatística e conseguir operar diferentes ferramentas”, alertou. Ele também destacou a complexidade dos dados não estruturados, imagens, vídeos e registros dinâmicos, que já superam em volume e desafio os tradicionais dados tabulares usados nas avaliações.
Modelos de linguagem
A inteligência artificial ocupa hoje papel central na engenharia de avaliações. Ventura citou os modelos de linguagem, como ChatGPT, Gemini e Cloud, que já auxiliam na elaboração de relatórios, verificação de inconsistências e simulações. “A tecnologia é fantástica, mas exige cuidado para não ultrapassar limites legais”, ponderou. Ele também mencionou o avanço dos robôs humanoides e dos sistemas de captura 3D, que começam a apoiar inspeções e vistorias. “Estamos entrando na era dos levantamentos rápidos e acessíveis, feitos até com o celular”, disse.
Ao abordar o marco regulatório, Ventura reforçou as mudanças introduzidas nas perícias pela Resolução 956, pela Recomendação nº 3 e pela nova Norma 13.752, publicada no final de 2023. “A norma tem validade imediata e muitos peritos ainda não estão aplicando. Atualização é fundamental”, destacou. As definições de vícios, anomalias e requisitos técnicos ganharam maior precisão, aumentando a responsabilidade do profissional. “Se você não tiver segurança sobre o que está colocando no laudo, é melhor deixar isso claro. Uma conclusão mal fundamentada pode inviabilizar uma empresa ou prejudicar uma família”, advertiu.
Para Ventura, o futuro aponta para modelos híbridos entre IA e Engenheiros, auditorias de dados em tempo quase real, robôs de vistoria e gêmeos digitais de imóveis. A essência, porém, permanece a mesma: rigor técnico. Ensaios, equipamentos especializados, drones, câmeras, softwares de modelagem e métodos não destrutivos continuarão exigindo preparo. “Perícia é responsabilidade. Exige estudo contínuo e fundamentação sólida”, concluiu.
Engenharia do vento
Aron Letchacovski Zavelinski destacou a importância da engenharia de vento, área ainda vista como nichada, mas que, segundo ele, “afeta a vida de todo mundo”. Zavelinski lembrou que seu trabalho idealmente “deve ser invisível”, pois, quando o projeto funciona, a população nem percebe a complexidade envolvida. O tema ganhou ainda mais relevância após a recente catástrofe no Oeste do Paraná, que destruiu cidades inteiras. “O problema é que as pessoas só se preocupam depois que acontece”, afirmou.
O Engenheiro explicou que a engenharia de vento se divide em duas grandes áreas: estrutural e ambiental. A primeira trata das pressões exercidas sobre edificações; a segunda, de efeitos sobre o ambiente urbano, como dispersão de poluentes e conforto de pedestres. Como referência, ele utilizou a norma NBR 6123, base regulatória brasileira para estimar cargas de vento. “As normas não surgem do nada; são resultado de décadas de conhecimento acumulado”, ressaltou.
Ao abordar a parte estrutural, Zavelinski detalhou como a velocidade do vento, fator que quadruplica a pressão quando dobrada, exige estudos específicos de climatologia e aerodinâmica. Por isso, parâmetros como topografia, rugosidade do terreno e dimensões da edificação influenciam diretamente no cálculo das cargas. O fator topográfico, por exemplo, pode duplicar ou até triplicar a pressão em construções próximas a taludes. “Muita gente acha que isso não importa, mas, em vários casos, é o ponto mais crítico do projeto”, alertou.
Análises dinâmicas
Outro desafio é a camada limite atmosférica, responsável por perfis de vento distintos conforme o entorno urbano. Regiões densas, com grande rugosidade, apresentam rajadas mais intensas; zonas abertas tendem a ter vento mais uniforme. O palestrante também abordou a complexa correlação temporal e espacial das pressões, destacando que estruturas grandes não recebem o vento de forma coordenada. “Não dá para simplesmente somar os máximos da fachada inteira; a força efetiva é menor”, explicou.
Na aerodinâmica, Zavelinski lembrou que boa parte das respostas ainda depende de ensaios em túnel de vento, dada a natureza empírica das interações entre fluxo e edificações. Formas com cantos vivos, por exemplo, geram zonas de sucção extremamente intensas. Modelagens mais sofisticadas, como análises dinâmicas e aeroelásticas, são necessárias apenas em estruturas muito altas ou flexíveis, como torres de 300 metros ou pontes estaiadas. “Cada caso é um caso; generalizar quase nunca funciona”, pontuou.
O Engenheiro encerrou com uma breve análise climatológica, destacando a necessidade de atualizar o mapa nacional de velocidades básicas, criado em 1977. Observou inconsistências e lacunas nos dados meteorológicos, que impactam diretamente a avaliação de riscos. “O Brasil mudou, o clima mudou, e nosso mapa não acompanhou”, disse. Para ele, compreender o vento, suas forças, padrões e extremos, é essencial para evitar tragédias e projetar cidades mais seguras.








.
Assista ao evento completo abaixo ou no Canal do IEP no YouTube:
.
Um grupo de engenheiros do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) realizou, nesta quinta-feira (04), uma visita técnica à Greca Asfaltos, em Araucária (PR), como parte da programação da 31ª Semana da Engenharia, evento anual promovido pelo Instituto. A atividade teve como objetivo aproximar profissionais e estudantes do ambiente industrial, ampliando o conhecimento sobre tecnologias, boas práticas de produção e inovação na área de pavimentação.
Referência nacional no setor, a Greca Asfaltos destacou ao grupo sua atuação em toda a cadeia produtiva do asfalto, desde a captação de matéria-prima, industrialização e controle de qualidade, até a logística de entrega. A empresa mantém 17 unidades distribuídas pelo Brasil, o que facilita a produção e a distribuição dos diversos tipos de asfalto e emulsões comercializados.
Durante a visita, os participantes conheceram o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (CPD&I) da companhia, que conta com equipamentos importados e estrutura laboratorial avançada. No local, são realizados ensaios e análises que garantem a conformidade dos produtos antes da expedição. Conforme apresentou a equipe técnica, nenhum caminhão deixa o pátio sem nota fiscal e sem o laudo laboratorial correspondente, reforçando o rigor do controle de qualidade.
Um destaque do portfólio da empresa é o ECOFLEX, asfalto-borracha desenvolvido pela Greca considerado pioneiro no Brasil. Produzido a partir da borracha de pneus descartados, o material une desempenho técnico e responsabilidade ambiental, contribuindo para a destinação correta de resíduos sólidos e atendendo a demandas crescentes por soluções sustentáveis no setor de infraestrutura.
O grupo também conheceu a estrutura logística da empresa, que opera com frota própria de caminhões monitorados por satélite. Os veículos contam com sistemas de rastreamento e controle remoto de velocidade, horários e processos de operação, permitindo que o motorista se concentre exclusivamente na condução. A tecnologia assegura segurança, eficiência e pontualidade nas entregas.
“A visita proporcionou uma visão abrangente das etapas que envolvem a produção de ligantes asfálticos e dos desafios técnicos da pavimentação moderna. Essas experiências ampliam ainda mais nosso repertório técnico, especialmente em temas como inovação, sustentabilidade e controle de qualidade”, afirmou o Presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, acompanhado na visita por Elizeu Petruy (Técnico Químico), Gilmar Jorge (Coordenador SSMA), Gilson Jorge (Coordenador de Laboratório), Karoliny Jordão (Coordenadora de Marketing), Raphael Freitas (Técnico de Segurança do Trabalho), Tiago Greca (Gerente de Suprimentos) e Tiago Souza (Encarregado de Produção).
.




O terceiro dia da 31ª Semana de Engenharia do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) movimentou a sede da instituição com duas palestras de forte caráter técnico e alinhadas aos desafios contemporâneos da Engenharia. O encontro foi aberto pelo presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, que agradeceu a participação do público e destacou a diversidade da programação ao longo da semana.
O presidente do IEP lembrou que o evento será encerrado no sábado, durante o tradicional jantar dançante, quando será entregue o prêmio Engenheiro do Ano ao professor Roberto Hosokawa, engenheiro florestal paranaense, aposentado da Universidade Federal do Paraná, com trajetória internacional no Japão e nos Estados Unidos, e que já trabalhou ao lado de nomes de projeção mundial, entre eles Stephen Hawking.
A apresentação do painel ficou a cargo do Engenheiro Mecânico João Groque Junior, diretor financeiro do IEP, que deu as boas-vindas aos convidados e agradeceu o apoio dos patrocinadores pela viabilização da programação presencial e digital. Em seguida, ele citou os palestrantes da noite: o Engenheiro Mecânico e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho Roberto Serta, da Roka Engenharia, que abordou o tema “NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos”; e Felipe Almeida Fontana, Eng. Civil, especialista em gestão de projetos complexos do Grupo Boticário, com a palestra “Engenharia aplicada a grandes projetos industriais”.
Caminhos para a conformidade
A alta taxa de acidentes envolvendo máquinas e equipamentos no Brasil foi o ponto de partida da palestra do engenheiro Roberto Serta sobre a NR-12. Os números impressionam: em média, 186 mortes por ano, quase um trabalhador por dia útil. As mãos seguem como as principais vítimas: 135 mil dedos lesionados, fraturados ou amputados anualmente.
“A gente precisa lembrar que segurança não é detalhe. É prevenção. E prevenção começa com comportamento: você só coloca as mãos onde você enxerga”, alertou Serta, reforçando a atenção a riscos óbvios e ocultos. “Não coloque as mãos em superfícies que você não vê. Parece exagero, mas é assim que acontecem muitos acidentes”, completou.
Criada em 2010, a NR-12 passou por intensa resistência inicial. Sua complexidade foi subestimada até que, em 2013, fiscalizações rigorosas interditaram plantas industriais em todo o país. Mesmo após quase 15 anos, a norma continua evoluindo, com traduções de novas normas técnicas e atualizações constantes.
A abrangência é ampla: a NR-12 cobre todo o ciclo de vida da máquina, do projeto, fabricação, importação, comercialização, instalação, operação até à manutenção e descarte. “Máquina não é só aquilo que está em uma linha de produção complexa. É qualquer equipamento que tem movimento não gerado pela força humana”, explicou. Motores elétricos, pneumáticos, hidráulicos e turbinas entram nesse escopo.
Por isso, a norma se aplica a todos os ambientes onde exista maquinaria, ou seja, indústrias alimentícias, perfumarias, agronegócio, postos de gasolina, oficinas, elevadores, supermercados e muito mais. “O Brasil não tem 5% do seu parque de máquinas adequado à NR-12. Esse é o tamanho do desafio”, afirmou.
Evitar acidentes
A palestra destacou a importância da análise de riscos. Serta acentuou que “nenhuma proteção resiste ao comportamento inseguro. Por isso, gestão, treinamento e procedimentos são tão importantes quanto a tecnologia instalada”.
Entre as orientações à segurança do trabalhador, citou que as empresas devem manter pisos limpos, áreas de circulação livres, ferramentas organizadas e corredores dentro das larguras mínimas. As instalações elétricas devem estar adequadas à NR-10, com painéis adequados, sinalização e dispositivos corretos. “Chave geral não é botão liga/desliga. E nunca deve ser usada como tal”, advertiu. Ainda mencionou a aplicação dos 5S segurança com limpeza, organização e disciplina que reduzem riscos e melhoram a visão do operador sobre anomalias. Por exemplo, “não é apertar um botão. É entender o que está sendo desligado. A parada de emergência precisa ser analisada no contexto da máquina”.
Segundo Serta, grande parte das máquinas no país chega sem manuais completos, sem engenharia aplicada e sem histórico técnico. Isso compromete a manutenção e a segurança. A NR-12 exige: manuais em português, procedimentos operacionais e de manutenção, plantas elétricas e esquemas atualizados e documentos acessíveis à CIPA, sindicatos, SESMT e Ministério do Trabalho. “Sem documentação, não existe manutenção segura. E sem manutenção segura, não existe conformidade”, resumiu.
A norma reforça ainda aspectos ergonômicos (altura de painéis, alcance de botões, postura do operador) e riscos adicionais, físicos, químicos, biológicos, calor, ruído, poeira, fuligem e espaços confinados. Durante a manutenção, o palestrante destacou o uso do LOTO (Lockout/Tagout) para bloqueio seguro de energia. A prática ainda é negligenciada. “Não adianta seguir o manual do fabricante só quando convém. Manutenção é engenharia aplicada”.
O engenheiro ainda apresentou dispositivos que devem ser utilizados na indústria como sensores de tampa e porta, tapetes de segurança, cortinas de luz (muito comuns em dobradeiras), scanners a laser, chaves de segurança, botoeiras de emergência e sistemas de proteção mecânica fixa e móvel. Ele reforçou que tecnologia sozinha não resolve, porque “sem procedimentos e treinamento, até o melhor scanner vira enfeite”.
Gestão da NR12
Ao encerrar a apresentação, Serta detalhou as etapas essenciais para uma boa gestão da NR-12, um processo que, segundo ele, começa muito antes da instalação de qualquer dispositivo de segurança. O primeiro passo é o inventário de máquinas, base para todo o planejamento. Na sequência, vêm a análise de riscos, conduzida com respaldo em normas técnicas, e não em “achismos”.
Com essas informações, elabora-se o diagnóstico, que indica o que está conforme e o que precisa ser corrigido. A partir daí, estruturam-se o plano de ação, com as recomendações de adequação, e o projeto técnico, envolvendo áreas mecânica, elétrica e de automação. Só então entram em cena a execução das melhorias, a validação e a gestão contínua da manutenção — etapa que, como destacou, mantém a NR-12 “viva”.
“Muita gente quer começar pelo item seis: instalar grade, botão, sensor. Mas a adequação começa no planejamento, não na furadeira”, ironizou. E reforçou que a NR-12, não pertence apenas à Segurança do Trabalho. “Operação, manutenção, engenharia, automação, qualidade, RH… todo mundo faz parte. Risco zero não existe, mas o estado da técnica precisa ser perseguido diariamente”.
Engenharia aplicada a grandes projetos industriais
“O cenário industrial brasileiro vive uma transformação profunda. A perda de protagonismo da indústria tradicional no PIB, a ascensão da agroindústria, a pressão dos juros altos e a queda dos investimentos criam um ambiente de cautela, e de oportunidades para quem sabe tomar decisões técnicas mais inteligentes”, observou Felipe Almeida Fontana, ao iniciar sua apresentação.
De acordo com ele, a Engenharia deixou de ser apenas técnica. Hoje, ela é uma alavanca direta de resultados financeiros. “Cada escolha que fazemos no início de um projeto impacta o caixa, a rentabilidade e a competitividade da empresa”.
Fontana aponta alguns fatores que hoje influenciam diretamente as decisões de investimento no setor. O primeiro é a mudança na própria representatividade da indústria: enquanto a agroindústria avança, a indústria tradicional perde participação no PIB, alterando a lógica dos aportes. O segundo obstáculo são os juros elevados. “No Brasil, o custo de oportunidade pesa. Com taxas altas, investir na operação precisa ser realmente vantajoso”, afirma.
Também pesa a redução do CAPEX, movimento que leva empresas mais cautelosas a adiar investimentos. Por fim, ele destaca uma mudança de postura empresarial: sai de cena a expansão a qualquer custo e ganha terreno uma visão focada em suficiência, eficiência e maior vida útil dos ativos. Para o engenheiro, indicadores financeiros como EBITDA e fluxo de caixa deixam claro o impacto direto da engenharia na saúde do negócio.
Fontana reforça que boas decisões técnicas prolongam a vida útil de equipamentos e evitam substituições prematuras. “Uma escolha errada hoje vira um custo gigante daqui a cinco anos. Projetar bem é pensar no ciclo de vida completo”, diz.
Estratégias
Para ilustrar sua apresentação, Fontana trouxe estratégias que podem ser aplicadas a grandes projetos industriais, e que estão sendo adotadas na nova fábrica do Grupo Boticário, em Pouso Alegre (MG), que terá um investimento de R$ 1,8 bilhão. Começou explicando a aplicação da metodologia FEL (Front End Loading). “Cada etapa é uma decisão estratégica. Quanto antes decidimos, mais barato é mudar. Quanto mais tarde, mais caro é errar”, resume. Segundo ele, a metodologia define seções de pilares, tipo de cobertura, sistemas elétricos e demais escolhas de engenharia detalhada, que influenciam diretamente o desempenho e o custo da obra.
Comentou também como estratégias a análise funcional, o método MOSCOW e o conceito de ciclo de vida do ativo. “Perguntar ‘para que isso existe?’ economiza milhões”, afirma Fontana. “O MOSCOW nos obriga a separar desejo de necessidade. E o ciclo de vida evita que a gente compre barato para pagar caro lá na frente”.
Outra estratégia é desenvolver projetos integralmente em BIM, que permite construir duas vezes: primeiro no computador, depois na vida real. E na segunda vez, com muito menos erro. Entre os principais ganhos estão a detecção antecipada de interferências, o planejamento 4D, a precisão dos quantitativos e a redução de desperdícios, elementos que contribuem para a otimização do CAPEX.
Adotar ESG como pilar de eficiência industrial é fundamental. “Buscar soluções de pré-fabricação, por exemplo, reduzem em até 40% a geração de resíduos”. Para Fontana, o tema deixou de ser tendência para se tornar critério decisivo. “ESG deixou de ser discurso. Hoje, rastreabilidade de suprimentos atrai fundos verdes e reduz riscos. E contratar mão de obra local transforma impacto social em vantagem competitiva”, destaca.
Mudança cultural
Fontana defende que a segurança precisa ser incorporada desde o projeto, não tratada como custo adicional. “Projeto bom é aquele que ninguém precisa subir em andaime para fazer manutenção. Segurança não é despesa, é blindagem contra paradas e indenizações”, afirma. Ele reforça ainda a importância do Lean Construction e do Last Planner System (LPS), que descentralizam o planejamento e envolvem os executores no processo decisório.
Na avaliação do engenheiro, uma obra eficiente deve operar com a lógica da manufatura. “Lean na construção é mudança cultural. É olhar para o fluxo, eliminar desperdício e fazer o básico com excelência”, diz. O registro sistemático das causas raiz, como falta de materiais ou falhas de programação, é indispensável para evitar reincidências. “Se o problema acontece toda semana e ninguém registra, ele vai continuar acontecendo toda semana”.
Segundo o palestrante, evitar estratégias modernas de engenharia pode sair muito mais caro. “O barato hoje vira um prejuízo gigantesco amanhã. Nosso papel é encontrar a solução que gera mais valor com o menor custo, e isso exige coragem técnica”.
Para concluir, Fontana reforça a mudança de papel da engenharia diante do cenário econômico atual. “O gerente de construção não é mais o cara da obra. Ele é gestor de ativos. Cada real precisa voltar multiplicado para a empresa. Quando conectamos técnica e estratégia financeira, atravessamos o mercado desafiador e saímos mais fortes na retomada”.







.
Assista ao evento completo abaixo ou no Canal do IEP no YouTube:
.
O Instituto de Engenharia do Paraná – IEP e Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – ASBEA promovem o seminário “Mitos e Verdades Parte II: Carros Elétricos”, no dia 17 de dezembro, às 19h00, no Centro de Eventos, com transmissão pelo canal do YouTube.
Dando sequência ao evento sobre Mitos e Verdades sobre carros elétricos, que foi apresentado em novembro, dessa vez o IEP recebe outros especialistas no assunto que vão falar sobre a parte técnica, segurança e leis que regem esse tipo de veículo.
- Data: 17/12/2025 (Quarta)
- Horário: 19h00
- Local: Centro de Eventos e YouTube
O evento terá a presença dos palestrantes:
- Eng. Ricardo Augusto Blauth, Proprietário da Energia Atual, falará sobre “Requisitos Técnicos para a instalação de carregadores de corrente alternada e corrente contínua”.
- Adv. Heroldes Bahr Neto, Presidente da Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da OAB Paraná, falará sobre “Carros Elétricos e Segurança no Carregamento: Regras Brasileiras e Internacionais, Boas Práticas de Instalação e Prevenção de Riscos”.
.

Ricardo Blauth
Engenheiro Eletricista, Mestre e Especialista. Proprietário da Energia Atual que atua em Eletromobilidade, Para-raios, Energia Solar e Serviços de Engenharia. Autor da ABNT NBR 5419:2015 e revisão 2025 com mais de 3 mil projetos de SPDA executados tanto nas técnicas convencionais como modernas de proteção. A rede de recargas da Energia Atual tem mais de 80 carregadores e faz mais de 3500 recargas por mês. No ramo da Energia Solar são mais de 100 mil painéis solares instalados e mais de 100 projetos de BESS executados.
.

Heroldes Bahr Neto
Doutorando em Direito pelo IDP/DF. Presidente da Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da OAB Paraná, atua nas áreas de infraestrutura, ambiental e desenvolvimento regional.
.
Participe e venha tirar suas dúvidas!
Ingresso: 1kg de alimento não perecível*.
*A doação não é obrigatória. **ATENÇÃO: Tenha o QR Code em seu celular para ter acesso às catracas no dia do evento.
O segundo dia da 31ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), reuniu profissionais e estudantes na sede da entidade, em Curitiba, para um debate profundo sobre segurança, legislação e boas práticas em operações de içamento de cargas.
A palestra, que contou com a parceria da Associação Paranaense dos Engenheiros Mecânicos (Apemec), “Plano de Rigging: fundamentos, responsabilidades e boas práticas para operações seguras” foi conduzida pelo engenheiro civil Gabriel Beck Alves, especialista com uma década de atuação em movimentações complexas.
A abertura foi feita pelo presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, que saudou o público e destacou a programação da semana, que segue até sábado, 6 de dezembro, encerrando-se com um jantar comemorativo ao centenário da instituição. Ele também lembrou as próximas atividades da casa, entre elas o I Seminário sobre Segurança nas Atividades de Visitação em Áreas Naturais e a segunda parte do evento “Mitos e Verdades: Recarga de Veículos Elétricos”.
Plano de rigging
Ao iniciar sua apresentação, Gabriel Beck Alves agradeceu o convite e reforçou a função essencial do planejamento técnico. “Um plano de rigging não é burocracia. É o que impede que erros simples se tornem tragédias”, afirmou.
O documento, explicou o palestrante, reúne todas as informações necessárias para uma operação segura de içamento como, por exemplo, identificação e análise da carga, definição dos equipamentos adequados, estudo das interferências no solo e no espaço aéreo, cálculo de tensões nas lingadas, avaliação das condições climáticas e sequência operacional. “Planejar é antecipar problemas. É entender que cada detalhe conta, desde o ângulo de trabalho da cinta até a proximidade de uma rede elétrica”, afirmou.
O engenheiro também ressaltou que o plano deve ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado de ART, conforme exigência de normas como a NR-11, NR-12, NR18, NR22 e NR34. “Todas têm força de lei”, frisou.
Erros que custam caro
Ao longo da palestra, Alves exibiu exemplos reais de acidentes causados por falhas de planejamento, operação ou manutenção. Um dos casos citados envolveu um guindaste tombado por negligência no dimensionamento da carga e por operação realizada por profissional não qualificado. “A máquina funciona como uma gangorra: se o equilíbrio falha, o tombamento é inevitável”, explicou.
Ele também mencionou o uso inadequado de equipamentos, como manilhas incompatíveis com cabos de aço, cintas estranguladas e ausência de proteção em cantos vivos, falhas que podem levar a rompimentos instantâneos. “Compatibilidade entre equipamentos não é sugestão: é requisito básico de segurança”, afirmou. Outro ponto de alerta foi o impacto do vento nas operações com lança alta. “O que derruba não é o vento constante, mas a rajada”.
Normas, legislação e formação
O engenheiro reforçou a necessidade de constante atualização diante da evolução das normas técnicas brasileiras (NBRs). “Normas mudam rápido. E, quando citadas em lei, deixam de ser recomendação e passam a ter força normativa”, explicou. Ele lembrou ainda que engenheiros têm acesso gratuito às NBRs graças a uma parceria entre o Sistema Confea/Crea e a ABNT.
A capacitação dos profissionais foi outro foco da palestra. Para operação e sinalização, a legislação exige cursos específicos: 120 horas para operadores e 16 horas para sinaleiros a cada dois anos. “Treinamento não é custo. É proteção para quem trabalha e para quem depende dessa operação”, frisou.
Boas práticas
Alves fez ainda uma série de recomendações como a identificação clara da capacidade de carga de cabos, cintas e acessórios; acesso imediato a certificados e manuais no local da operação; registros obrigatórios de inspeção e manutenção; retirada imediata de materiais danificados; escolha de equipamentos compatíveis para evitar desgaste e cortes; checagem prévia de torque e montagem de grampos conforme norma; e conversa prévia entre operador e sinaleiro para padronizar sinais antes do início do trabalho.
“Determinar o peso da carga é o passo mais crítico. Errar nesse cálculo é comprometer toda a operação”, alertou. Ele também destacou a importância de conhecer o centro de gravidade, escolher a lingada adequada e planejar o posicionamento do guindaste para evitar rotações inesperadas.
Planejamento como cultura
Para ilustrar a importância do planejamento, Alves comparou o trabalho atual à engenharia das civilizações antigas. “As pirâmides do Egito e Machu Picchu não foram construídas com sorte. Foram construídas com método, cálculo e planejamento”, destacou.
Segundo ele, apesar do avanço tecnológico na construção civil e na Engenharia ao longo dos 200 anos, desde escavadeiras a vapor até guindastes capazes de içar até 4.000 toneladas, o princípio permanece o mesmo: técnica, conhecimento e respeito às normas. “A evolução veio para nos proteger. Cabe a nós fazer uso correto dela”, afirmou.
Encerrando a palestra, Alves reforçou que a segurança está na soma de pequenas escolhas: desde o ângulo da cinta até a checagem do vento. “Se uma única etapa falhar, toda a operação fica comprometida. O plano de rigging existe para que isso não aconteça”, disse.





.
Assista ao evento completo abaixo ou pelo Canal do IEP no YouTube:
.
A 31ª Semana de Engenharia do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) ganhou um capítulo especial com a visita técnica realizada nesta terça-feira à RAC Engenharia, empresa referência nacional em construções sustentáveis. “A atividade proporcionou aos associados a oportunidade de vivenciar na prática como uma organização pode alinhar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental em todos os seus processos”, diz o Presidente, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, presente na visita.
Com 92 pontos de sustentabilidade em um total possível de 110, a RAC Engenharia se consolidou como uma das empresas mais avançadas do país em práticas ESG, sendo reconhecida por seus métodos inovadores e por manter a sustentabilidade como elemento central de sua cultura corporativa.
Ao longo da visita, os participantes puderam conhecer detalhadamente diversos sistemas que compõem o modelo de operação da RAC e sustentam sua alta pontuação em sustentabilidade. Entre os destaques está o sistema de tratamento de água em circuito fechado; a iluminação com recursos naturais; mobilidade interna sustentável (com bicicletas à disposição dos colaboradores para deslocamentos de curta distância, incentivando práticas saudáveis e de baixo impacto ambiental); gestão integrada de resíduos com processos rigorosos de separação, reaproveitamento e destinação correta e tecnologias de automação predial.
Com mais de duas décadas de atuação, a RAC Engenharia – que conquistou a maior pontuação LEED da América Latina – segue o conceito de “existir enquanto construtora é prover à humanidade estrutura para se desenvolver; e construir enquanto seres humanos é compor o todo de maneira harmoniosa”.
.






O Instituto de Engenharia do Paraná, por meio da Câmara Técnica Universitária, realiza o 28° encontro voltado à conversação em Inglês com foco em temas de engenharia. Este é o ambiente perfeito para quem busca aprimorar o idioma de forma descontraída e colaborativa, expandindo o vocabulário técnico essencial para os desafios do mercado global.
Este evento é aberto ao público associado, universitário e engenheiros que queiram se destacar no mercado global.
- Data: 06/12 (sábado)
- Horário: 10h00
- Local: 5° andar IEP
Para entrar no grupo de WhatsApp, contate: (44) 99818-2661 ou (41) 99639-9060.
A Prefeitura de Nova Santa Rosa, do estado do Paraná, anunciou a abertura de Concurso Público com o objetivo de preencher vagas e formar cadastro de reserva para cargos que exigem níveis fundamentais, médios e superiores.
As oportunidades relacionadas a engenharia são:
- Engenheiro Civil (1 vaga)
A jornada de trabalho será de 20 a 40 horas semanais, com remuneração mensal no valor de R$ 1.588,07 a R$ 9.197,33.
Os interessados podem se inscrever no período de 26 de novembro de 2025 a 26 de dezembro de 2025, de forma online, com taxa no valor de R$ 60,00 a R$ 100,00.
Clique no botão abaixo para mais informações.
.
.
Conheça o Banco de Oportunidades do IEP. Clique AQUI para acessar!
Nesta quarta-feira, 03 de dezembro de 2025 , a reunião do Banco de Ideias contou com a participação do Professor Osman Valdés, que ministrou uma palestra sobre o tema “Experiência na COP 30/Belém – Resumo”.
Osman Valdés é graduado em Filosofia na UFPR, é professor de Filosofia no Colégio Lins de Vasconcelos, leciona em várias escolas Estaduais e Cívico-militares do Paraná. Artista plástico em Artes em Vidro e Cerâmica, ativista socioambiental.




.
Assista a reunião completa abaixo:
.
Informamos que na próxima sexta-feira (05/12), NÃO HAVERÁ RODA DE SAMBA e, no próximo sábado (06/12), NÃO HAVERÁ BAR DA AMIZADE, para a organização do Jantar de Encerramento da 31ª Semana da Engenharia.
Contamos com a compreensão de todos.
Atenciosamente,
Instituto de Engenharia do Paraná