O Instituto de Engenharia do Paraná – IEP, por meio da Câmara Técnica de Cartografia, Geociências e Geotecnologias e da Câmara Técnica de Engenharia de Segurança do Trabalho, promoveu, nesta quinta-feira (12.09), a palestra “Segurança de Edificações: o que você precisa saber sobre a atuação da Cosedi”, ministrada pelo Eng. Civil e coordenador técnico da Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis – Cosedi, Marcelo Alexandre Solera.
Na abertura do evento, o presidente do IEP, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, destacou a importância do tema ao lembrar que a segurança das edificações está diretamente ligada à qualidade de vida da população. “Quando pensamos em nossos lares ou locais de trabalho, a palavra de ordem é estabilidade. No entanto, o desgaste natural das estruturas e a falta de manutenção podem transformar o que é seguro em um risco invisível”, afirmou.
Representando a Câmara Técnica de Cartografia, Geociências e Geotecnologias, o Eng. Cartógrafo Luís Alberto Lopez Miguez deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a presença de profissionais da Prefeitura de Curitiba, onde atua há 34 anos. Segundo ele, o principal objetivo do encontro é esclarecer o papel da Cosedi. “Queremos desmistificar a atuação da Coordenadoria, mostrando que seu trabalho vai muito além da fiscalização. A Cosedi é um braço fundamental na preservação da integridade física dos cidadãos e na promoção da segurança das edificações”, declarou.
Ganhos de produtividade
A transformação digital da Cosedi, órgão vinculado à Prefeitura de Curitiba, praticamente dobrou a capacidade de atendimento do órgão nos últimos anos, informou Solera. Implantado em 2021, o sistema digital de gestão das vistorias substituiu o antigo processo em papel e trouxe ganhos expressivos de produtividade. “O tempo necessário para emitir uma notificação caiu de 20 a 30 minutos para apenas cinco a seis minutos”, pontuou.
Segundo o Eng. Civil, como resultado, entre 2021 e 2024, o número de vistorias aumentou 85%, as notificações cresceram quase 130% e as autuações registraram alta de 234%. “A tecnologia nos permitiu ampliar significativamente a capacidade de atendimento e acompanhar cada processo até que o risco seja efetivamente eliminado”.
A Cosedi mantém uma estrutura permanente de atendimento, com 45 engenheiros e arquitetos em regime de plantão, funcionando 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados. A equipe realiza, em média, de 12 a 15 vistorias por profissional diariamente, atendendo demandas encaminhadas pelo sistema 156, Ministério Público, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e outros órgãos públicos.
Principais demandas
Os problemas estruturais continuam sendo a principal demanda do órgão. “Rachaduras, fissuras, risco de desabamento de telhados, muros de arrimo comprometidos e construções irregulares lideram as ocorrências”, observou. Solera acentuou que também fazem parte da rotina fiscalizações em elevadores, instalações de gás, sistemas elétricos, para-raios, áreas sujeitas a deslizamentos, imóveis com mudança irregular de uso e locais de grande circulação, como hospitais, estádios e shopping centers.
Solera ressaltou que aproximadamente 27% das vistorias realizadas ao longo dos últimos 13 anos identificaram algum tipo de risco que exigiu notificação. Em 2026, esse índice já alcança 29%, enquanto o percentual de autuações passou da média histórica de 5% para 8%. “Cada notificação gera um processo que só é encerrado quando o problema é solucionado. Nosso compromisso é garantir a segurança das pessoas”.
Tecnologias
A modernização também incorporou georreferenciamento das ocorrências, assinaturas digitais, armazenamento em nuvem, rastreamento das viaturas e otimização das rotas de fiscalização. A Cosedi ainda utiliza tablets, impressoras térmicas e drones para inspeções em áreas de difícil acesso ou com risco elevado, reduzindo a exposição dos profissionais durante as vistorias. “Está em processo a compra de mais dois drones para ampliar a atuação da equipe”, disse.
Outro ponto destacado na palestra foi o poder de polícia administrativa da Cosedi. Em situações de risco iminente à segurança, os técnicos podem ingressar em imóveis sem autorização judicial para preservar vidas. “Nossa atuação é estritamente técnica. Não buscamos punir, mas evitar acidentes e proteger a população diante de situações que podem evoluir rapidamente para tragédias”, concluiu.
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Assista ao evento completo abaixo ou pelo Canal do IEP no YouTube:
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