Para impulsionar a aplicação prática de tecnologias de ponta na gestão de projetos, o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) promoveu em sua sede, nesta terça-feira (07), um café da manhã com a palestra “Da teoria à realidade: Engenharia de Custos potencializada pela Construção Virtual”, conduzida pelo Eng. Civil Rogério Cruz, coordenador do Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP) da CRASA Infraestrutura, que lidera as iniciativas da empresa na área de Engenharia de Custos. A condução do encontro ficou a cargo do Diretor Técnico Eng. Civil Luiz Henrique Felipe Olavo, que representou o Presidente, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, ausente por motivo de viagem.
Logo no início da apresentação, ele relembrou a trajetória da CRASA (antiga CR Almeida) e seu histórico de obras emblemáticas, como o rebaixamento da linha férrea de Maringá e o viaduto estaiado de Curitiba. “A empresa sempre teve um DNA de inovação. Estar à frente do tempo faz parte da nossa identidade. Recentemente, estivemos na Trimble (EUA), líder em automação e controle de máquinas, buscando novas formas de aplicar tecnologia e produtividade em nossos projetos”, destacou.
Foco além do BIM
Em sua palestra, Cruz destacou como a Construção Virtual, tipicamente associada ao BIM/Modelo 4D, está otimizando e sendo aplicada em projetos de infraestrutura de grande porte. Ele explicou que o foco da CRASA não está apenas em aplicar o BIM, mas em usá-lo para aperfeiçoar a Engenharia de Custos. “A prioridade foi desenvolver a Construção Virtual para auxiliar na tomada de decisões que envolvem tempo e dinheiro, o cerne da engenharia de custos,” acentuou.
Ele explicou que o futuro da indústria caminha para o digital com o conceito de Gêmeos Digitais, que permite testar cenários no computador antes da execução real. “Essa capacidade é fundamental, pois a indústria de infraestrutura tem grande dificuldade em prototipar fisicamente”, pontuou.
A CRASA adotou como referência a metodologia de Usos BIM da Pennsylvania State University e priorizou aplicações que impactam diretamente a fase de construção e a Engenharia de Custos, como a estimativa de custos e o modelo 4D (integração do 3D com o cronograma). A empresa tem utilizado o Modelo 4D para validar a estratégia de execução e o cronograma, identificando falhas que seriam imperceptíveis em diagramas tradicionais.
Um destaque da palestra foi o detalhamento do Construção Virtual em um projeto rodoviário complexo, o Binário de Santos, que envolveu um conjunto de adequações, melhorias e ampliação na Rodovia Anchieta, entre o Km 60 e o Km 65. Entre outubro de 2022 e setembro de 2023, a CRASA implementou o planejamento 4D para auxiliar ativamente na tomada de decisões em tempo real.
Cruz explicou que a visualização 4D se mostrou indispensável na validação da sequência construtiva. “Na primeira simulação [do cronograma], o modelo 4D revelou um erro na premissa de projeto. Essa descoberta, que era muito difícil de identificar em gráfico tradicional cheio de links, teve um impacto direto no cronograma, na sequência construtiva e em toda a cadeia de suprimentos, demonstrando a capacidade da tecnologia de evitar falhas caras no campo”.
Engajamento e performance
O palestrante citou que o principal benefício da Construção Virtual vai além da tecnologia, “é o aprimoramento do processo de gestão e comunicação”. O Modelo 4D melhora a aderência ao ciclo contínuo de Engenharia de Custos (escopo, planejamento, execução, medição, avaliação de performance e projeção).
“O uso do 4D torna o planejamento visual e acessível, permitindo que mais pessoas da equipe participem e interajam no planejamento. Isso é fundamental para o sucesso do projeto, pois o planejamento não pode ser feito por apenas uma pessoa,” afirmou. Ele ressaltou que o 4D proporciona uma “evolução disruptivas” na avaliação de performance ao permitir que a equipe analise os desvios olhando uma simulação visual em vez de uma série de documentos.
Encerrando, Rogério Cruz reforçou que o sucesso da Construção Virtual depende de uma base sólida de dados e planejamento. “A tecnologia é a cereja do bolo. Mas, sem um bom cronograma e um banco de dados confiável, o resultado não aparece. A inovação só se sustenta sobre fundamentos bem-feitos”.
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