O Presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, Eng. Eletricista Nelson Luiz Gomez, anunciou, na manhã desta sexta-feira (10), a aprovação de uma proposta na Câmara dos Deputados para homenagear o centenário da instituição. A iniciativa foi apresentada pelo deputado federal Toninho Wandscheer, a partir de sugestão do Eng. Civil Antonio Borges dos Reis, ouvidor da Câmara Municipal de Curitiba. A cerimônia será no dia 26 de Maio, às 11h, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O anúncio abriu o café da manhã promovido pelo IEP, que recebeu a palestra da Eng. Civil Larissa Vieira, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento e fiscal do contrato da obra da Ponte de Guaratuba. Com o tema “Ponte de Guaratuba – a conclusão de um marco na engenharia do Paraná”, a apresentação destacou os avanços, desafios técnicos e o impacto estratégico de uma das obras mais aguardadas da infraestrutura estadual.
Ainda na abertura, o Presidente Gomez destacou que sua construção está consolidada na Constituição do Estado do Paraná de 1989. “Este é um exemplo de obra de Engenharia realizada dentro do planejado, no seu cronograma físico e financeiro”, resumiu.
Obra histórica
A construção da Ponte de Guaratuba representa mais do que uma obra de infraestrutura. É a concretização de um projeto aguardado há décadas e um divisor de águas para o desenvolvimento do litoral paranaense. Essa foi a principal mensagem da Eng. Civil Larissa Vieira durante palestra, ao destacar a dimensão histórica, social e econômica do empreendimento.
“Estamos falando de um sonho que atravessou mais de 30 anos. Hoje, acompanhamos a materialização de um projeto que vai transformar a mobilidade, impulsionar o turismo e reconfigurar a dinâmica econômica de toda a região”, afirmou. A inauguração da Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, está confirmada para o dia 29 de abril de 2026.
Marco na mobilidade
Com mais de três quilômetros de extensão, sendo 1,24 km sobre a baía, a ponte conecta áreas estratégicas do litoral e promete reduzir drasticamente a dependência do ferryboat. A obra, iniciada em 2024, provoca impactos visíveis no entorno, como valorização imobiliária e aumento da atividade turística.
Ao longo da apresentação, Larissa ressaltou que, apesar da grandiosidade física, o projeto vai além da engenharia. “Não é apenas construir uma ponte. É lidar com pessoas, com comunidades inteiras, com o meio ambiente e com uma região extremamente sensível”, pontuou.
Impacto social
A palestrante destacou a implementação de uma série de programas socioeconômicos, com foco direto nas comunidades do entorno. Entre eles, ações de monitoramento social, desapropriações com indenizações, capacitação de mão de obra local e incentivo à diversificação econômica.
“Houve um esforço para priorizar trabalhadores da própria região. Em determinados momentos, chegamos ao limite dessa capacidade, mas ainda assim conseguimos gerar emprego e renda local”, explicou.
O diálogo com comunidades tradicionais também foi apontado como eixo central. “A preocupação com a atividade pesqueira sempre esteve presente. Criamos um monitoramento diário das capturas para entender se a obra impacta a produção. É uma forma de dar transparência e responsabilidade ao processo”, disse.
Soluções sustentáveis
Na área ambiental, a obra mobiliza um amplo conjunto de medidas de controle e compensação. Monitoramento da qualidade da água, do ar e do ruído, resgate de fauna e flora, recuperação de áreas degradadas e instalação de passagens para animais fazem parte do escopo.
“A ponte foi pensada para coexistir com o ambiente. Um exemplo é o sistema de drenagem, que impede que a água da pista seja lançada diretamente na baía, passando antes por tratamento”, destacou.
Desafios técnicos e logísticos
Os desafios são proporcionais à magnitude do projeto. Larissa citou desde condições geotécnicas complexas, como solos instáveis e influência das marés, até entraves logísticos e interferências externas relevantes.
Um dos casos emblemáticos envolveu uma linha de transmissão de energia que precisou ser adaptada. “Foi necessário substituir cabos por tecnologia importada para eliminar riscos de contato com a estrutura. São soluções que exigem agilidade e integração entre diferentes órgãos”, relatou.
A manutenção do funcionamento do ferryboat durante as obras também exigiu planejamento rigoroso. “Estamos construindo ao lado de uma operação que não pode parar. Isso impacta diretamente a logística, o tráfego e a segurança”, observou.
Papel estratégico da fiscalização
Como fiscal do contrato, Larissa enfatizou a complexidade da gestão em um modelo de contratação integrada, no qual projeto e execução ocorrem simultaneamente.
“Nosso trabalho é garantir que tudo seja feito conforme as normas, com qualidade e segurança. Mas, acima de tudo, é uma função de gestão: de pessoas, de processos e de interesses diversos”, afirmou.
Mais que uma obra, um legado
Para a engenheira, a conclusão da ponte vai além da entrega física da estrutura. “Finalizar a obra significa também preparar a operação, garantir segurança ao usuário e assegurar que todos os sistemas, técnicos, ambientais e sociais, estejam funcionando plenamente”, concluiu.
Ao sintetizar o impacto do projeto, ela mencionou que “essa ponte não liga apenas dois pontos do mapa. Ela conecta oportunidades, desenvolvimento e um novo futuro para o litoral do Paraná”.







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